Homens e adolescentes com hipogonadismo hipogonadotrófico orgânico passarão a contar com novas opções de tratamento com testosterona pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde oficializou a incorporação de medicamentos para reposição hormonal, ampliando o acesso a terapias consideradas essenciais para o desenvolvimento físico, sexual e reprodutivo de pacientes com a doença.
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A medida foi publicada por meio de portarias no Diário Oficial da União e inclui o undecilato de testosterona, o cipionato de testosterona e a combinação de quatro ésteres de testosterona — propionato, fenilpropionato, isocaproato e decanoato — para o tratamento do hipogonadismo hipogonadotrófico orgânico em homens.
Além disso, a combinação dos quatro ésteres de testosterona também foi incorporada para a indução da puberdade em adolescentes do sexo masculino com a condição. Já para adolescentes do sexo feminino, o SUS passará a oferecer estradiol em adesivo transdérmico, indicado para estimular o desenvolvimento puberal quando há deficiência na produção de estrogênio.
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O que é o hipogonadismo hipogonadotrófico orgânico?
O hipogonadismo hipogonadotrófico orgânico é uma doença causada por alterações no hipotálamo ou na hipófise, estruturas do cérebro responsáveis por estimular a produção dos hormônios sexuais pelos testículos e pelos ovários.
A condição pode ser congênita, quando está presente desde o nascimento, ou adquirida ao longo da vida em decorrência de tumores, cirurgias, radioterapia, traumatismos cranianos ou outras doenças que afetam essas regiões do cérebro.
Como consequência, o organismo produz níveis insuficientes de testosterona ou estrogênio, comprometendo o desenvolvimento sexual e diversas funções do organismo.
Quais são os sintomas?
Nos homens, a deficiência hormonal pode provocar:
- atraso ou ausência da puberdade;
- redução da libido;
- infertilidade;
- diminuição da massa muscular;
- fadiga;
- redução da densidade óssea;
- aumento da gordura corporal;
- alterações metabólicas;
- disfunção erétil em alguns casos.
Em adolescentes, a doença pode impedir o desenvolvimento normal das características sexuais secundárias, tornando a reposição hormonal fundamental para a puberdade.
O que muda com a incorporação no SUS?
Até então, muitos pacientes dependiam de poucas alternativas terapêuticas disponíveis na rede pública ou precisavam recorrer à compra dos medicamentos ou à Justiça para garantir o tratamento.
Com a decisão do Ministério da Saúde, o SUS passa a oferecer diferentes formulações de testosterona, permitindo que o endocrinologista escolha a opção mais adequada conforme as características de cada paciente, como frequência das aplicações, resposta ao tratamento e tolerabilidade.
Segundo especialistas que participaram da avaliação da tecnologia, a ampliação das opções terapêuticas contribui para melhorar a adesão ao tratamento e a qualidade de vida dos pacientes.
Quando os medicamentos estarão disponíveis?
Embora a incorporação já tenha sido oficializada, os medicamentos não passam a ser distribuídos imediatamente.
Após a publicação da portaria, o Ministério da Saúde tem prazo de até 180 dias para concluir a implementação da medida, processo que envolve atualização dos protocolos clínicos, aquisição dos medicamentos e organização da distribuição para estados e municípios.
Quem terá direito ao tratamento?
As novas terapias serão destinadas a pacientes com diagnóstico confirmado de hipogonadismo hipogonadotrófico orgânico, conforme os critérios estabelecidos pelos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do SUS.
Os grupos contemplados são:
- homens adultos que necessitam de reposição de testosterona;
- adolescentes do sexo masculino que precisam de indução da puberdade;
- adolescentes do sexo feminino com deficiência de estrogênio, que poderão receber estradiol em adesivo transdérmico para promover o desenvolvimento puberal.
O diagnóstico deve ser realizado por médico especialista, com avaliação clínica e exames hormonais que confirmem a deficiência na produção dos hormônios sexuais.
Avanço no tratamento de doenças endocrinológicas
A incorporação dos novos medicamentos representa um avanço na assistência a pessoas com doenças endocrinológicas raras e complexas. Além de ampliar o acesso gratuito à reposição hormonal, a medida reduz desigualdades no tratamento e oferece mais alternativas terapêuticas dentro do SUS.
A expectativa é que, após a implementação, pacientes de todo o país tenham acesso a tratamentos mais modernos e adequados às suas necessidades, favorecendo o desenvolvimento físico, a saúde óssea, a fertilidade e a qualidade de vida.


