Um dos anúncios mais polêmicos da World Robot Conference 2025, realizada em Pequim, veio da empresa chinesa Kaiwa Technology, de Guangzhou. A companhia apresentou o projeto de um robô gestante, um humanoide em tamanho real equipado com útero artificial, capaz de simular todo o processo de gravidez.
Segundo o fundador Zhang Qifeng, o robô poderá realizar a gestação completa: da concepção até o nascimento do bebê. O lançamento está previsto para 2026, com valor estimado em 100 mil yuans (cerca de R$ 75 mil).
Como funciona o robô gestante?
O robô capaz de engravidar possui um útero artificial instalado no abdômen. Dentro dele:
- o feto ficaria imerso em líquido amniótico sintético;
- receberia nutrientes por meio de um tubo que imita o cordão umbilical;
- todo o processo de fertilização, implantação, desenvolvimento e parto seria reproduzido pela máquina.
- LEIA TAMBÉM – China inaugura o primeiro hospital do mundo 100% operado por robôs; revolução ou perigo?
A tecnologia foi inspirada em experiências anteriores, como a “biobag” de 2017, desenvolvida nos EUA, que manteve cordeiros prematuros vivos por semanas.
Para que serve um robô com útero artificial?
De acordo com a empresa, o objetivo é oferecer uma alternativa para:
- casais que enfrentam infertilidade;
- mulheres que não desejam passar por uma gravidez biológica;
- países como a China, que sofrem com a queda na taxa de natalidade e registram aumento da infertilidade (de 11,9% em 2007 para 18% em 2020).
- Receba os conteúdos de Fernando Beteti pelo WhatsApp
- Receba os conteúdos de Fernando Beteti pelo Telegram
Polêmicas: especialistas criticam o robô gestante
O anúncio do robô humanoide com gravidez artificial gerou debates em todo o mundo.
- Cientistas e médicos apontam que uma máquina ainda não consegue reproduzir funções biológicas fundamentais, como a produção de hormônios maternos.
- Críticos da tecnologia alertam para os riscos do enfraquecimento do vínculo entre mãe e filho e possíveis impactos psicológicos para crianças geradas em robôs.
- Feministas destacam que úteros artificiais poderiam representar o “fim das mulheres”, como alertou a escritora Andrea Dworkin.
Por outro lado, defensores veem no projeto um avanço promissor para a reprodução assistida e uma possível solução diante da crise demográfica chinesa.
Robô gestante é realidade ou ficção científica?
Apesar do impacto do anúncio, especialistas internacionais afirmam que o robô com útero artificial ainda pode estar mais próximo da ficção científica do que da realidade. A complexidade biológica da gestação humana torna extremamente difícil reproduzir de forma artificial todos os processos naturais de uma gravidez.
Ainda assim, o projeto da Kaiwa Technology reacende o debate: até onde a tecnologia deve ir na reprodução humana?


