A indústria farmacêutica vive um momento de intensa disputa pelo mercado de medicamentos contra obesidade e diabetes. Nesta semana, a dinamarquesa Novo Nordisk, fabricante do Ozempic, anunciou uma redução de 50% no preço do medicamento nos Estados Unidos, enquanto a rival Eli Lilly, responsável pelo Mounjaro, fechou um acordo bilionário com uma empresa de biotecnologia para desenvolver novos tratamentos com o uso de inteligência artificial (IA).
Novo Nordisk reduz preço do Ozempic em meio à pressão política
O Ozempic, injeção à base de semaglutida indicada para o tratamento do diabetes tipo 2 e amplamente utilizada também para emagrecimento, passará a ser vendido por US$ 499 por mês para pacientes que pagam diretamente em dinheiro, sem cobertura de seguro. Antes, o custo médio do medicamento girava em torno de US$ 1.000 a US$ 1.350.
A decisão ocorre após pressão política do presidente Donald Trump, que enviou cartas a grandes farmacêuticas cobrando redução nos preços de medicamentos essenciais. A Novo Nordisk confirmou que a nova modalidade de compra será oferecida tanto em sua própria plataforma digital quanto em parceria com a empresa de descontos em medicamentos GoodRx.
Segundo a companhia, a medida busca ampliar o acesso ao tratamento para pacientes sem seguro de saúde, já que a maioria dos segurados paga valores reduzidos, muitas vezes inferiores a US$ 25 por mês.
Eli Lilly aposta em inteligência artificial para avançar com o Mounjaro
Enquanto a Novo Nordisk aposta em preços mais acessíveis para manter sua liderança de mercado, a norte-americana Eli Lilly, criadora do Mounjaro (tirzepatida), aposta em inovação tecnológica. A farmacêutica anunciou um acordo de até US$ 4,6 bilhões com a empresa de biotecnologia Valo Health, especializada em inteligência artificial para pesquisa de novos medicamentos.
O contrato prevê um pagamento inicial de US$ 190 milhões e tem como objetivo acelerar o desenvolvimento de novos fármacos contra obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. A parceria chega em um momento estratégico, já que a concorrência no setor está cada vez mais acirrada e a demanda global por medicamentos para emagrecimento continua em alta.
Concorrência pelo mercado da obesidade movimenta bilhões
A disputa entre Ozempic e Mounjaro é hoje um dos maiores embates da indústria farmacêutica mundial. Ambos os medicamentos, baseados em análogos de GLP-1, se tornaram fenômenos de mercado, não apenas pelo tratamento do diabetes, mas principalmente por seu efeito comprovado na perda de peso.
De um lado, a Novo Nordisk aposta em estratégias de acessibilidade para ampliar seu público nos EUA. Do outro, a Eli Lilly investe pesado em tecnologia e inteligência artificial para desenvolver novas gerações de medicamentos que possam oferecer maior eficácia e menos efeitos colaterais.
Analistas de mercado apontam que a rivalidade deve se intensificar nos próximos anos, já que a demanda por medicamentos contra obesidade cresce em ritmo acelerado. Estimativas sugerem que o setor pode movimentar mais de US$ 100 bilhões até 2030.
Resumo
- Ozempic terá preço reduzido pela metade nos EUA, passando a custar US$ 499 mensais para pacientes sem seguro.
- Novo Nordisk atende a pressões políticas e aposta em ampliar o acesso via telemedicina e parceria com a GoodRx.
- Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, anuncia acordo de até US$ 4,6 bilhões com a Valo Health, usando IA para desenvolver novos tratamentos.
- O mercado global de medicamentos para obesidade está em franca expansão e deve ser um dos mais lucrativos da próxima década.



