Um novo estudo publicado nesta quarta-feira, 20, na revista Alzheimer’s & Dementia indica que níveis adequados de ácidos graxos, como o ômega-3, podem oferecer um efeito protetor contra a doença de Alzheimer em mulheres. A pesquisa comparou o sangue de pessoas saudáveis e pacientes com a condição e encontrou uma perda significativa dessas gorduras em mulheres diagnosticadas.
Diferença entre homens e mulheres
A investigação, conduzida pelo King’s College London, revelou que os níveis de lipídios insaturados estavam até 20% mais baixos em mulheres com Alzheimer. Esses compostos são essenciais para o funcionamento cerebral.
Entre os homens, os pesquisadores não observaram diferenças relevantes nos mesmos lipídios, o que sugere que a doença pode afetar os sexos de maneira distinta. Essa constatação também ajuda a explicar por que o Alzheimer é diagnosticado com mais frequência em mulheres.
Como foi feita a pesquisa
O estudo contou com 841 voluntários, incluindo pacientes com Alzheimer, pessoas com comprometimento cognitivo leve e indivíduos saudáveis. As amostras de plasma sanguíneo foram analisadas por espectrometria de massa, permitindo a avaliação de 700 tipos de lipídios.
As mulheres com Alzheimer apresentaram mais lipídios saturados, considerados prejudiciais, e menos lipídios insaturados, que incluem os ácidos graxos ômega. Entre os homens, esse padrão não se repetiu.
A médica Cristina Legido-Quigley, uma das líderes da pesquisa, destacou a descoberta como surpreendente:
— “O estudo revela que a biologia lipídica do Alzheimer é diferente entre os sexos, abrindo novos caminhos para a pesquisa. Além disso, dá indícios de que a menor quantidade desses compostos pode ser causal no Alzheimer, mas precisamos de um ensaio clínico para confirmar isso.”
O papel protetor do ômega-3 na saúde do cérebro
Com base nos resultados, os cientistas reforçam que as mulheres devem garantir o consumo adequado de ácidos graxos, especialmente ômega-3, mas também ômega-6 e ômega-9, para se protegerem contra o declínio cognitivo.
Essas gorduras saudáveis podem ser encontradas em:
- Peixes: salmão, sardinha, atum
- Sementes: chia, linhaça
- Oleaginosas: nozes
- Frutas e óleos: abacate, azeite de oliva, óleo de canola
O pesquisador Asger Wretlind, coautor do estudo, destacou a importância dessa descoberta:
— “Conseguimos detectar diferenças biológicas nos lipídios entre os sexos em uma grande corte e demonstrar a importância dos lipídios que contêm ômegas no sangue, o que não havia sido feito antes. Os resultados são muito impressionantes e agora estamos analisando o quão precocemente essa mudança ocorre nas mulheres.”
O que é a doença de Alzheimer: sintomas e tratamentos
O Alzheimer é um distúrbio neurodegenerativo progressivo que afeta principalmente a memória, a linguagem e a capacidade de raciocínio. Os principais sintomas incluem:
- Esquecimento frequente de informações recentes
- Dificuldade em realizar tarefas cotidianas
- Alterações de humor e comportamento
- Problemas de comunicação
- Desorientação no tempo e espaço
Ainda não existe cura, mas os tratamentos atuais buscam retardar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Entre eles estão o uso de medicamentos que regulam neurotransmissores, terapias cognitivas e suporte multidisciplinar.
Impactos na saúde pública
Segundo estimativas, 35 milhões de pessoas no mundo vivem com Alzheimer, e duas em cada três são mulheres. Embora fatores sociais e hormonais possam contribuir para essa maior prevalência, os novos dados sugerem que diferenças na forma como o corpo processa as gorduras também podem estar relacionadas.
A médica Julia Dudley, chefe de pesquisa da Alzheimer’s Research UK, reforçou a necessidade de ampliar as investigações:
— “Compreender como a doença se manifesta de forma diferente em mulheres pode ajudar os médicos a adaptar tratamentos e orientações de saúde futuros.”
Além disso, a especialista destacou a importância de realizar estudos com populações mais diversas para verificar se os resultados se repetem em diferentes grupos étnicos.



