A relação entre magnésio e saúde do fígado ganhou força com novos estudos que apontam que o mineral pode ajudar a reduzir o risco de gordura hepática e melhorar marcadores metabólicos ligados à doença. Pesquisas recentes mostram que uma ingestão adequada de magnésio pode diminuir o acúmulo de gordura no fígado, reduzir colesterol e até proteger contra inflamação hepática — fatores centrais na Doença Hepática Esteatótica Metabólica (DHEM), conhecida como esteatose hepática.
Magnésio e fígado: estudos apontam até 55% menos risco de esteatose
Um dos estudos mais robustos sobre o tema, publicado no Endocrinology, Diabetes & Metabolism, reforçou que aumentar a ingestão de magnésio está associado à redução do colesterol e da gordura no fígado.
Os achados seguem a mesma direção de pesquisas populacionais de longa duração. No CARDIA Study, que acompanhou 2.712 adultos por 25 anos, participantes com maior ingestão de magnésio apresentaram até 55% menos risco de desenvolver esteatose hepática na meia-idade.
Outro estudo, baseado na coorte norte-americana NHANES III, com mais de 13 mil adultos, mostrou que quem consumia mais o mineral tinha cerca de 30% menos chances de ter gordura no fígado e pré-diabetes.
Por que o magnésio ajuda a combater gordura no fígado
Especialistas apontam três mecanismos principais:
1. Regulação do metabolismo da glicose e da gordura
O magnésio é essencial para o funcionamento de enzimas que controlam a metabolização de carboidratos e lipídios. Quando o corpo está com níveis adequados, há melhora da sensibilidade à insulina e menor tendência ao acúmulo de gordura no fígado.
2. Ação anti-inflamatória e antioxidante
A deficiência de magnésio aumenta o estresse oxidativo e os processos inflamatórios — fatores que aceleram a progressão da esteatose hepática.
3. Proteção metabólica geral
Estudos epidemiológicos mostram que ingerir magnésio regularmente pode ser um fator protetor contra doenças metabólicas associadas à gordura no fígado.
Suplementação de magnésio também mostra efeitos positivos
Ensaios clínicos reforçam a promessa. Em um estudo com suplementação diária de 350 mg de magnésio por 90 dias, pessoas com diagnóstico de fígado gorduroso tiveram melhora:
- Nos níveis de colesterol
- Na glicose
- Na função hepática
Os efeitos foram ainda mais consistentes quando associados à perda de peso.
Fontes naturais de magnésio para incluir no dia a dia
Entre os alimentos mais ricos no mineral estão:
- Vegetais folhosos verdes: espinafre, couve, acelga
- Oleaginosas: amêndoas, nozes, pistaches
- Leguminosas: feijões, lentilhas, grão-de-bico
- Grãos integrais: aveia, arroz integral, quinoa
Além disso, muitas pessoas — especialmente quem tem alimentação pobre em vegetais e integrais — podem se beneficiar de suplementação, desde que orientada por um profissional de saúde.
Ainda não é cura: o que os especialistas alertam
Apesar dos resultados animadores, a ciência ainda não considera o magnésio uma “cura” para esteatose hepática. A maioria dos estudos é observacional, e a doença envolve vários fatores:
- Alimentação rica em açúcar e gordura
- Sedentarismo
- Obesidade
- Resistência à insulina
Ou seja: o magnésio ajuda — e muito —, mas não substitui mudanças no estilo de vida.



