Uma nova pílula desenvolvida para tratar a apneia obstrutiva do sono, condição frequentemente associada ao ronco intenso, apresentou resultados promissores em um grande estudo clínico e pode se tornar o primeiro medicamento oral aprovado para combater o problema. Batizado de AD109, o tratamento reduziu significativamente os episódios de interrupção da respiração durante o sono e já é apontado por pesquisadores como uma possível alternativa para pacientes que não conseguem se adaptar ao uso do CPAP.
Os resultados do ensaio clínico foram divulgados na revista científica American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine e envolvem 646 participantes acompanhados por seis meses. O estudo foi conduzido por cientistas da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, em parceria com a farmacêutica Apnimed, responsável pelo desenvolvimento do medicamento.
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O que é a apneia do sono?
A apneia obstrutiva do sono é um distúrbio caracterizado por repetidas interrupções da respiração durante a noite. Além do ronco alto, a condição pode provocar sonolência excessiva durante o dia, fadiga, dificuldades de concentração e aumentar o risco de doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes tipo 2 e acidente vascular cerebral (AVC).
Atualmente, o tratamento mais utilizado é o CPAP, aparelho que mantém as vias aéreas abertas por meio de uma pressão contínua de ar. No entanto, muitas pessoas abandonam o tratamento por desconforto ou dificuldade de adaptação.
Como funciona a pílula AD109?
O AD109 combina duas substâncias já conhecidas pela medicina: a atomoxetina, utilizada no tratamento do transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), e a aroxibutinina, derivada de medicamentos usados para bexiga hiperativa.
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A combinação atua diretamente nos músculos responsáveis por manter as vias respiratórias abertas durante o sono. Com isso, o medicamento ajuda a evitar o colapso da garganta, principal causa da apneia obstrutiva do sono.
Estudo mostra redução expressiva dos episódios de apneia
O estudo de fase 3, considerado uma das etapas finais antes da solicitação de aprovação regulatória, avaliou adultos com apneia leve, moderada e grave.
Segundo os pesquisadores, os participantes que receberam o AD109 apresentaram uma redução média de aproximadamente 56% nos episódios de apneia e hipopneia ao longo da noite. Além disso, cerca de 22% dos pacientes alcançaram níveis considerados próximos da remissão da doença.
Os cientistas também observaram melhora nos níveis de oxigenação durante o sono e em outros indicadores relacionados à qualidade respiratória.
Medicamento pode ser aprovado em 2027
Embora os resultados sejam considerados animadores, os especialistas ressaltam que o AD109 ainda precisa passar pelas etapas regulatórias antes de chegar ao mercado.
A expectativa da Apnimed é utilizar os dados do estudo para solicitar a aprovação junto à agência reguladora dos Estados Unidos, a FDA. Caso o processo avance conforme o esperado, o medicamento poderá ser lançado comercialmente em 2027.
Pílula pode mudar o tratamento da apneia do sono
Especialistas avaliam que a aprovação do AD109 pode representar uma mudança significativa na forma como a apneia obstrutiva do sono é tratada. Isso porque, até hoje, não existe um medicamento oral amplamente aprovado para atuar diretamente na causa da doença.
Apesar do entusiasmo, médicos destacam que o CPAP continuará sendo uma opção importante, especialmente para pacientes com quadros mais graves. Ainda assim, a nova pílula pode oferecer uma alternativa prática para milhões de pessoas que sofrem com ronco e interrupções respiratórias durante o sono.

