Uma colonoscopia de rotina terminou em tragédia na cidade de São Paulo. Mariana dos Santos Cândido, de 41 anos, morreu após sofrer uma grave complicação durante o exame realizado no Hospital Municipal Doutor Alípio Corrêa Netto, em Ermelino Matarazzo, na Zona Leste da capital paulista. O caso é investigado pela Polícia Civil e também é alvo de uma sindicância da Secretaria Municipal da Saúde.
Segundo informações divulgadas por veículos de imprensa e confirmadas pela Prefeitura de São Paulo, Mariana realizava o procedimento como parte de um acompanhamento preventivo. Durante o exame, houve uma perfuração no intestino, uma complicação considerada rara, mas conhecida na literatura médica.
Após o incidente, a paciente foi submetida imediatamente a uma cirurgia de emergência. Apesar dos esforços da equipe médica, ela não resistiu e morreu após apresentar complicações na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
O que aconteceu
De acordo com documentos médicos divulgados pela imprensa, Mariana sofreu uma laceração na parede do cólon sigmoide durante a colonoscopia, provocando uma perfuração intestinal.
Ela foi encaminhada imediatamente ao centro cirúrgico, onde passou por uma laparotomia com retirada de um segmento do intestino. A cirurgia durou cerca de seis horas, mas, no período pós-operatório, seu quadro clínico se agravou, culminando em uma parada cardiorrespiratória.
Exame era preventivo
Familiares relataram que Mariana decidiu realizar a colonoscopia por orientação médica, devido ao histórico de câncer de intestino na família. Seu avô morreu em decorrência da doença, e parentes próximos passaram a realizar exames preventivos regularmente.
Segundo a família, esta era a primeira colonoscopia da paciente após completar 40 anos.
Mariana trabalhava como agente de apoio escolar e deixou três filhos, de 20, 15 e 9 anos.
Família cobra explicações
Parentes afirmam que receberam poucas informações sobre o que ocorreu durante o procedimento e registraram boletim de ocorrência para que o caso fosse investigado.
O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), que deverá apontar oficialmente a causa da morte por meio de exame necroscópico.
A Polícia Civil instaurou investigação para apurar as circunstâncias do caso.
Prefeitura abre sindicância
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) da Prefeitura de São Paulo atribuiu a responsabilidade à Clínica de Endoscopia Salinas Ltda, responsável pela realização do exame de Mariana. A gestão afirmou que abriu, de maneira imediata, sindicância interna para apurar todos os detalhes ocorridos durante a intercorrência.
Segundo a administração municipal, a empresa presta serviço há 25 anos na unidade. “A SMS lamenta profundamente a perda da paciente e a apuração será rigorosa em relação à conduta médica adotada. A direção do hospital segue à disposição da família”, finaliza a nota.
Colonoscopia é um exame seguro?
A colonoscopia é considerada o principal exame para prevenção e diagnóstico precoce do câncer colorretal. O procedimento permite visualizar todo o intestino grosso e identificar alterações como pólipos, inflamações e tumores, possibilitando inclusive a retirada de lesões durante o próprio exame.
De acordo com sociedades médicas, trata-se de um procedimento seguro, realizado diariamente em milhares de pacientes no Brasil e no mundo.
No entanto, como qualquer procedimento invasivo, existem riscos, embora sejam pouco frequentes.
Quais são os riscos da colonoscopia?
Entre as complicações possíveis estão:
- perfuração do intestino;
- sangramento, principalmente após retirada de pólipos;
- reações aos medicamentos utilizados para sedação;
- infecções, consideradas extremamente raras.
A perfuração intestinal é uma das complicações mais graves da colonoscopia. Embora incomum, ela exige tratamento imediato, geralmente com cirurgia de emergência, para evitar infecção generalizada e outras complicações potencialmente fatais.
O risco pode variar conforme fatores como idade do paciente, doenças intestinais pré-existentes, presença de inflamações, aderências cirúrgicas e necessidade de procedimentos terapêuticos realizados durante o exame.
Exame continua sendo fundamental na prevenção
Especialistas ressaltam que casos como o de Mariana são excepcionais e não devem desencorajar a realização da colonoscopia quando indicada por um médico.
O exame continua sendo a ferramenta mais eficaz para detectar precocemente o câncer colorretal, doença que está entre as principais causas de morte por câncer no Brasil, mas que apresenta altas chances de cura quando identificada nas fases iniciais.
A investigação sobre a morte de Mariana dos Santos Cândido seguirá sob responsabilidade da Polícia Civil e da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo. Os laudos do Instituto Médico Legal deverão esclarecer as circunstâncias da complicação e indicar se houve ou não falha na condução do procedimento.


