terça-feira, fevereiro 27, 2024
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Febre maculosa: casal morre depois de ter febre, dores e manchas no corpo

por Fernando Beteti

O Instituto Adolfo Lutz confirmou que a dentista Mariana Giordano foi diagnosticada com febre maculosa. Ela e o namorado, o piloto de automobilismo Douglas Costa, morreram em 8 de junho depois de apresentarem febre, dores e manchas vermelhas no corpo. Os sintomas foram desenvolvidos pelo casal, após eles passarem pela zona rural de Campinas (SP) antes do dia 3 de junho e em Monte Verde (MG) entre os dias 3 e 4 deste mês. A causa da morte de Douglas ainda não foi confirmada, mas está sendo analisada.

Saiba tudo sobre a febre maculosa

A febre maculosa é uma doença infecciosa, febril aguda e de gravidade variável. Assim, ela pode variar desde as formas clínicas leves e atípicas até formas graves, com elevada taxa de letalidade. A febre maculosa é causada por uma bactéria do gênero Rickettsia, transmitida pela picada do carrapato.

Os principais sintomas da Febre Maculosa são:

  • Febre alta e súbita;
  • Cefaleia;
  • Hiperemia conjuntival;
  • Dor muscular e articular;
  • Mal-estar;
  • Dores abdominais;
  • Vômito;
  • Diarreia;
  • Exantema.

Agente Etiológico

Bactéria pertencente à ordem Rickettsiales, da família Rickettsiaceae e do gênero Rickettsia. No entanto, no Brasil está associada a duas espécies de riquétsia: Rickettsia rickettsii e Rickettsia parkeri.


Reservatório

A Febre Maculosa é uma doença causada pela picada do carrapato

Carrapato

Vetores

No Brasil, os carrapatos de maior importância na transmissão da bactéria são do gênero Amblyomma, sendo:

  • Amblyomma aureolatum;
  • Amblyomma dubitatum;
  • Amblyomma ovale;
  • Amblyomma sculptum (Amblyomma cajennense sensu lato)

Os equideos, roedores como a capivara (Hydrochaeris hydrochaeris), e marsupiais como o gambá (Didelphis sp) têm importante participação no ciclo de transmissão de febre maculosa e há estudos recentes sobre o envolvimento destes animais como amplificadores de riquétsias, assim como transportadores de carrapatos potencialmente infectados.


Modo de Transmissão

Picada do carrapato infectado pela bactéria do gênero riquétsia (Rickettsia rickettsii e Rickettsia parkeri). Há também a possibilidade de que a transmissão da bactéria ocorra no momento em que os carrapatos infectados e aderidos à pele dos hospedeiros forem retirados com as mãos desprotegidas, além do habito que se tem de esmagá-los com as unhas, ação que pode expor o homem à hemolinfa dos carrapatos infectados provocando a transmissão do patógeno.


Período de Incubação

De dois a 14 dias, com média de sete dias após a picada do carrapato.


Período de Transmissibilidade

Após a picada do carrapato, estima-se que o tempo médio necessário para que ocorra a inoculação da bactéria seja em torno de 4 a 6 horas de parasitismo, mas dependerá de cada espécie de carrapato.


Complicações

Manifestações sistêmicas que incluem edema, anasarca, insuficiência renal, manifestações neurológicas, hemorragias, miocardite. Além disso, verifica-se insuficiência respiratória, hipotensão e choque.


Fatores de Risco

Os principais fatores de risco que aumentam as chances de se contrair a infecção por febre maculosa são:

  • Viver em uma área onde a doença é comum, ou seja, locais rurais ou arborizados.
  • Convivência com cachorro, cavalo ou então outros animais domésticos.
  • Se um carrapato infectado se prender à sua pele, é possível contrair febre maculosa ao remover o carrapato, pois o fluido do carrapato pode entrar no seu corpo por meio de uma abertura como o local da picada.

Para diminuir os riscos de infecção, em caso de exposição a carrapatos, siga os seguintes passos:

  • Ao remover um carrapato da sua pele, use uma pinça para agarrá-lo e remova-o cuidadosamente.
  • Trate o carrapato como se estivesse contaminado: mergulhe-o em álcool ou jogue no vaso sanitário.
  • Limpe a área da mordida com anti-séptico.
  • Lave bem as mãos.

Diagnóstico

Diante de toda inespecificidade da interpretação dos sintomas clínicos a anamnese do paciente é de extrema importância para obter diagnóstico precoce, fundamental avaliação dos fatores de risco e epidemiológico aos quais o paciente foi exposto nos últimos 14 dias, porém para confirmação será necessário a utilização de exames específicos.

Diagnóstico Laboratorial

  • Exames específicos: Reação de imunofluorescência indireta (RIFI) é estabelecido pelo aparecimento de anticorpos específicos, que aumentam em título com a evolução da doença, no soro de pacientes, são realizadas duas coletas. Sendo assim, a primeira é feita no início dos sintomas e a segunda 14 a 21 dias após a primeira coleta. Pesquisa direta da riquétsia: Imuno-histoquímica, biologia molecular e isolamento da riquétsia.
  • Exames inespecíficos e complementares: Hemograma e enzimas. Observação: Detalhamento dos exames estão disponíveis na nota técnica 0001/2019FebreMaculosa.

Características epidemiológicas

A Febre Maculosa Brasileira e outras riquetsioses têm sido registradas em áreas rurais e urbanas no Brasil. A maior concentração dos casos é verificada nas regiões Sudeste e Sul, onde de maneira geral ocorre de forma esporádica. Acomete a população economicamente ativa (20-49 anos), principalmente homens, que relataram a exposição a carrapatos, animais domésticos e/ou silvestres ou frequentaram ambientes de mata, rio ou cachoeira.


Tratamento

A precocidade na introdução do antibiótico específico, determinará o sucesso no tratamento. Desse modo, o antimicrobiano recomendado pelo Ministério da Saúde, de primeira escolha é Doxiciclina em todos os casos suspeitos de infecção pela Rickettsia rickettsii e de outras riquetsioses, independente da faixa etária e da gravidade da doença e na impossibilidade de sua utilização oral ou injetável, preconiza-se o cloranfenicol como droga alternativa. Importante lembrar que inicia-se o tratamento na suspeita, não se espera a confirmação laboratorial, a qual pode levar até 60 dias para obter-se o resultado no estado do Paraná.

Com informações da Secretaria de Saúde do Paraná.

Fernando Beteti

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