Os relógios inteligentes (smartwatch) se tornaram companheiros inseparáveis de milhões de pessoas. Monitoram passos, batimentos cardíacos, qualidade do sono e até níveis de estresse — tudo isso enquanto permanecem em contato direto com a pele durante praticamente todo o dia.
Mas uma descoberta recente levantou preocupação entre pesquisadores e consumidores: algumas pulseiras desses dispositivos podem conter PFAS, um grupo de substâncias químicas associadas a possíveis impactos à saúde humana.
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O debate ganhou força após estudos científicos identificarem a presença desses compostos em determinados materiais usados na fabricação de pulseiras esportivas.
O que são os chamados “químicos eternos”
Os PFAS (substâncias per- e polifluoroalquil) são compostos sintéticos utilizados pela indústria há décadas. Eles são valorizados por características como alta resistência à água, suor, gordura e desgaste.
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O problema é que essas mesmas propriedades fazem com que os PFAS sejam extremamente difíceis de degradar no ambiente. Por isso, ficaram conhecidos como “químicos eternos”.
Pesquisas científicas têm investigado há anos os possíveis efeitos da exposição prolongada a essas substâncias. Alguns estudos apontam associação com problemas como:
- alterações no sistema imunológico
- desequilíbrios hormonais
- aumento do risco de determinados tipos de câncer
- impactos no desenvolvimento fetal
Embora os efeitos dependam de diversos fatores, especialistas alertam que os PFAS podem se acumular no organismo ao longo do tempo.
Estudo encontrou níveis elevados em pulseiras
Pesquisadores analisaram diferentes pulseiras utilizadas em relógios inteligentes e identificaram níveis elevados de compostos fluorados em algumas delas, especialmente nas fabricadas com um material sintético conhecido por sua alta durabilidade.
Esse material é frequentemente usado em pulseiras esportivas porque resiste ao suor, ao calor e ao desgaste causado por atividades físicas.
O ponto que preocupa especialistas é que esses acessórios permanecem em contato direto e constante com a pele, muitas vezes durante 24 horas por dia.
Uso diário pode aumentar exposição
Diferentemente de outros produtos que são utilizados ocasionalmente, os smartwatches são projetados justamente para uso contínuo.
Muitas pessoas utilizam o dispositivo:
- durante o trabalho
- na prática de exercícios
- ao dormir
- e até no banho
Esse contato prolongado levanta questionamentos sobre a possibilidade de exposição contínua a substâncias químicas presentes nos materiais.
Debate cresce entre especialistas
A presença de PFAS em produtos de uso cotidiano vem sendo debatida em diversas áreas da ciência. Esses compostos já foram encontrados em itens comuns como:
- embalagens de alimentos
- tecidos impermeáveis
- cosméticos
- utensílios domésticos
Agora, o foco das discussões passa também pelos dispositivos vestíveis, que permanecem em contato direto com o corpo por longos períodos.
Especialistas ressaltam que ainda são necessários mais estudos para entender completamente os riscos, mas defendem maior transparência sobre os materiais utilizados nesses produtos.
Consumidores começam a questionar materiais
Com a repercussão do tema, cresce entre consumidores a preocupação com os materiais usados nas pulseiras.
Algumas alternativas consideradas por usuários incluem:
- pulseiras de tecido ou nylon
- modelos de metal
- acessórios de couro natural
Enquanto novas pesquisas buscam esclarecer os possíveis impactos dos chamados “químicos eternos”, o alerta permanece: produtos aparentemente inofensivos, usados todos os dias, podem esconder substâncias que ainda não conhecemos completamente.
A descoberta levanta uma pergunta cada vez mais comum entre especialistas em saúde ambiental: até que ponto sabemos realmente o que está nos materiais que ficam em contato direto com nossa pele?



