Milhões de mulheres em todo o mundo usam a pílula anticoncepcional diariamente como método de prevenção da gravidez. Mas um fato pouco conhecido pelo público chama a atenção: alguns anticoncepcionais hormonais foram classificados como carcinogênicos do Grupo 1 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), por meio da avaliação científica da International Agency for Research on Cancer (IARC).
A classificação coloca os anticoncepcionais orais combinados — que contêm estrogênio e progesterona — no mesmo grupo de evidência científica de substâncias associadas ao câncer, como o tabaco e o álcool.
Mas afinal, o que isso realmente significa? A pílula é perigosa? Ou a classificação está sendo interpretada de forma exagerada?
Anticoncepcional no Grupo 1: o que significa a classificação da OMS
A International Agency for Research on Cancer divide substâncias e exposições em categorias conforme a força das evidências científicas de que podem causar câncer.
O Grupo 1 é a classificação mais alta. Ele indica que existe evidência suficiente de que a substância pode causar câncer em humanos.
É nessa categoria que aparecem:
- tabaco
- álcool
- amianto
- radiação solar
- e anticoncepcionais hormonais combinados
Isso, porém, não significa que todos os itens desse grupo oferecem o mesmo nível de risco. A classificação avalia a certeza científica da relação, e não o tamanho do perigo.
Estudos apontam aumento de risco para alguns tipos de câncer
Pesquisas analisadas pela International Agency for Research on Cancer identificaram associação entre o uso prolongado de anticoncepcionais orais combinados e alguns tipos de câncer, principalmente:
- câncer de mama
- câncer do colo do útero
- câncer de fígado
O aumento de risco observado nos estudos é considerado pequeno para a maioria das mulheres, especialmente quando comparado a outros fatores conhecidos.

