O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na segunda-feira (10) uma ordem executiva que determina uma mudança nas recomendações federais para a vacinação infantil no país. A medida reduz de 17 para 11 o número de vacinas consideradas essenciais para todas as crianças e determina que o governo trabalhe para separar a vacina tríplice viral, conhecida como MMR, em três aplicações diferentes.
A decisão provocou reação imediata. Segundo os críticos, a mudança pode dificultar a vacinação das crianças e aumentar o risco de doenças que podem ser prevenidas por imunização.
A ordem assinada por Trump faz parte de uma política de reformulação do calendário de vacinação infantil defendida pela atual administração americana, especialmente pelo secretário de Saúde e Serviços Humanos, Robert F. Kennedy Jr., que há anos questiona políticas tradicionais de vacinação.
Quais vacinas continuam entre as recomendações principais
Com a mudança, o governo americano passa a considerar como vacinação de rotina para todas as crianças as imunizações contra sarampo, caxumba, rubéola, poliomielite, coqueluche, tétano, difteria, Haemophilus influenzae tipo B (Hib), doença pneumocócica, HPV e varicela.
Isso não significa que as demais vacinas tenham sido proibidas nos Estados Unidos.
- Receba os conteúdos de Fernando Beteti pelo WhatsApp
- Receba os conteúdos de Fernando Beteti pelo Telegram
Imunizações contra doenças como hepatite B, gripe, Covid-19 e hepatite A, por exemplo, podem continuar sendo indicadas em determinadas situações, para grupos específicos ou mediante decisão conjunta entre médicos e pacientes.
A mudança está, portanto, relacionada principalmente à classificação das recomendações federais, e não à retirada das vacinas do mercado.
Trump quer dividir a vacina tríplice viral
Um dos pontos mais controversos da ordem é a determinação para que a administração americana busque uma forma de substituir a vacina combinada contra sarampo, caxumba e rubéola (MMR) por três vacinas individuais.
A proposta é que as crianças recebam as vacinas em aplicações separadas e em consultas diferentes.
O problema é que, atualmente, não existem nos Estados Unidos vacinas individuais licenciadas para caxumba e rubéola que possam simplesmente substituir a formulação combinada. Fabricantes e especialistas afirmam que seria necessário desenvolver, testar e obter autorização regulatória para novos produtos.
OMS
A Organização Mundial da Saúde se manifestou após a assinatura da ordem e defendeu o processo científico utilizado para definir calendários de imunização.
Relação entre vacinas e autismo
Trump e Robert F. Kennedy Jr. também voltaram a mencionar a questão do autismo durante a discussão sobre a política de vacinação.
Mudança faz parte de uma política mais ampla
A ordem de 10 de agosto não surgiu de forma isolada. A administração Trump já vinha promovendo alterações nas recomendações de vacinação infantil ao longo de 2026.
Em janeiro, o governo americano anunciou uma reorganização que passou a dividir as vacinas infantis em diferentes categorias, incluindo aquelas recomendadas para todas as crianças e outras destinadas a grupos específicos ou sujeitas à chamada decisão clínica compartilhada.
A Casa Branca afirma que a revisão busca aproximar os Estados Unidos das recomendações adotadas por outros países desenvolvidos e argumenta que o país vinha recomendando um número maior de vacinas infantis do que seus pares.
Para especialistas, entretanto, comparar calendários de diferentes países sem considerar as características epidemiológicas, sistemas de saúde e estratégias de vacinação de cada população pode levar a conclusões equivocadas.
O que muda para as famílias americanas
Na prática, a nova política não significa que uma família nos Estados Unidos ficará impedida de vacinar uma criança contra doenças que não estejam entre as 11 consideradas prioritárias.
A principal alteração está na forma como o governo federal classifica e recomenda essas vacinas.
O impacto sobre a cobertura vacinal, o acesso e as políticas adotadas pelos estados ainda deverá ser acompanhado. A ordem também abre uma nova frente de disputa política e jurídica envolvendo as regras de vacinação infantil nos Estados Unidos.
A mudança anunciada por Trump, portanto, representa uma alteração significativa na política nacional de imunização, mas seus efeitos concretos dependerão da implementação das novas recomendações e de decisões regulatórias posteriores.


