Os pesquisadores Mary E. Brunkow, Fred Ramsdell e Shimon Sakaguchi foram anunciados nesta segunda-feira, 6, como os vencedores do Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 2025. O trio foi reconhecido por descobertas fundamentais sobre a tolerância imunológica periférica, mecanismo que impede o sistema imunológico de atacar o próprio corpo — processo que, quando falha, está por trás de diversas doenças autoimunes.
O anúncio foi feito pelo secretário-geral da Assembleia do Nobel, Thomas Perlmann, no Instituto Karolinska, em Estocolmo, na Suécia. Segundo o comitê, as pesquisas dos cientistas “revolucionaram a compreensão sobre como o sistema imunológico diferencia o que deve atacar e o que deve proteger”.
As “células guardiãs” do corpo humano
As descobertas dos laureados ajudaram a identificar um tipo específico de célula, as células T reguladoras (Tregs), descritas como os “guardas de segurança” do sistema imunológico. Elas têm a função de inibir reações exageradas das demais células de defesa, impedindo que o corpo ataque seus próprios tecidos — algo que ocorre em doenças como diabetes tipo 1, lúpus, esclerose múltipla e artrite reumatoide.
O imunologista japonês Shimon Sakaguchi, professor da Universidade de Osaka, foi pioneiro na identificação das Tregs na década de 1990, demonstrando que essas células são essenciais para manter o equilíbrio do sistema imunológico. Já os norte-americanos Mary E. Brunkow, pesquisadora do Institute for Systems Biology (Seattle), e Fred Ramsdell, cientista-chefe da Sonoma Biotherapeutics (São Francisco), descobriram que mutações no gene FOXP3 afetam o desenvolvimento dessas células, levando a doenças autoimunes graves.
“Suas descobertas foram decisivas para nossa compreensão de como o sistema imunológico funciona e por que nem todos desenvolvemos doenças autoimunes severas”, afirmou Olle Kämpe, presidente do Comitê Nobel.
Impacto para a medicina moderna
As pesquisas abriram caminho para novas abordagens terapêuticas em várias áreas da medicina. Hoje, cientistas estudam formas de estimular ou suprimir as células T reguladoras para tratar doenças autoimunes, melhorar a tolerância a transplantes de órgãos e até potencializar o combate ao câncer, equilibrando o sistema imune.
Segundo a organização do Nobel, as descobertas dos três pesquisadores “lançaram as bases de um campo totalmente novo de pesquisa e terapia, com implicações para milhões de pacientes em todo o mundo”.
Cerimônia e valor do prêmio
A cerimônia oficial de entrega do Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 2025 está marcada para 10 de dezembro, em Estocolmo — data que marca o aniversário da morte de Alfred Nobel, criador da premiação.
Os vencedores dividirão um prêmio no valor de 11 milhões de coroas suecas (aproximadamente US$ 1,2 milhão). Desde 1901, 229 pessoas já foram agraciadas com o Nobel de Medicina, e nenhum pesquisador recebeu o prêmio mais de uma vez.
Avanço que salva vidas
As descobertas de Brunkow, Ramsdell e Sakaguchi transformaram profundamente a imunologia moderna. O entendimento da tolerância imunológica periférica não apenas esclareceu o funcionamento das defesas do corpo, mas também abriu novas esperanças para o tratamento de doenças autoimunes e outros distúrbios imunológicos.
O Comitê Nobel resumiu o impacto das pesquisas com uma frase: “Esses cientistas revelaram o mecanismo que permite ao sistema imunológico distinguir entre amigo e inimigo — e, ao fazer isso, ajudaram a proteger milhões de vidas.”




