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Irmãos ‘assumem incesto’ e chocam a web; veja os riscos genéticos

por Fernando Beteti

Um casal de irmãos causou polêmica e deixou muita gente revoltada na internet depois de usar o Twitter para tornar pública sua relação amorosa de incesto. Na publicação, o usuário que se identifica como Yulia fez a revelação do namoro entre irmãos.

“Incesto? Nesse ponto já não nos importamos com ‘oq’ as pessoas tem a dizer, é consensual e somos dois adultos. Depois de manter tanto nossos afetos às escondidas (principalmente da nossa família) nós finalmente decidimos oficializar isso. SIM, eu estou namorando com minha IRMÔ, escreveu.

Muitos internautas criticaram a decisão. Além disso, outros duvidaram da veracidade do post. Teve ainda quem apoiasse, ou fizesse piadas sobre o caso.

Em uma extensão da publicação, Yulia afirmou que o casal planeja se casar e adotar filhos. “Compartilhamos desse sentimento e estamos muito contentes com isso, planejamos nos casar e adotar filhos. Afinal, nós nos amamos e nos desejamos mutualmente”, publicou.

Apesar da declaração deixar subentendido que não há o interesse em terem filhos, o que aconteceria do ponto de vista da saúde se a mulher engravidasse do irmão?

Segundo a Sociedade Brasileira de Genética Médica e Genômica (SBGM), quando os pais não têm laços sanguíneos, a chance de terem um filho com defeito congênito ou deficiência intelectual gira em torno de 2% e 3% a cada gestação. Por outro lado, se os pais são primos, a probabilidade aumenta e fica em torno de 5% e 6%. Isto é devido ao aumento da chance de ambos terem uma mesma mutação autossômica recessiva, presente na família.

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Contudo, a comunidade médica alerta quem em casos de relações consanguíneas com grau de parentesco mais próximo entre os envolvidos, os riscos são muito maiores. Contudo, por que isso ocorre em casos de incesto?

 A resposta é que há maior a probabilidade das duas pessoas compartilharem os genes recessivos.

A grosso modo, os genes recessivos são “menos expressivos” e, sendo assim, é preciso herdá-los duas vezes para que a característica se manifeste. Muitas vezes, essa manifestação ocorre por meio das chamadas doenças autossômicas recessivas.

Entre as doenças genéticas recessivas mais frequentes estão:

Fibrose cística (FC): ou mucoviscidose, como também é conhecida, é uma das doenças hereditárias consideradas graves determinada por um padrão de herança autossômico recessivo e afeta especialmente os pulmões e o pâncreas, num processo obstrutivo causado pelo aumento da viscosidade do muco. Nos pulmões, esse aumento na viscosidade bloqueia as vias aéreas propiciando a proliferação bacteriana (especialmente pseudomonas e estafilococos), o que leva à infecção crônica, à lesão pulmonar e ao óbito por disfunção respiratória. No pâncreas, quando os ductos estão obstruídos pela secreção espessa, há uma perda de enzimas digestivas, levando à má nutrição.

Anemia falciforme: é uma doença hereditária decorrente de uma mutação genética que passa de pais para filhos e atinge principalmente a população negra do país. O Teste do Pezinho, realizado entre o 3º ao 5º dia de vida do recém-nascido é a forma precoce da descoberta da doença. Já na fase adulta, o exame de sangue é a ‘chave’ para o início do tratamento. O diagnóstico tardio pode levar ao óbito.

Atrofia Muscular Espinhal (AME): É uma doença rara, degenerativa, passada de pais para filhos e que interfere na capacidade do corpo de produzir uma proteína essencial para a sobrevivência dos neurônios motores, responsáveis pelos gestos voluntários vitais simples do corpo, como respirar, engolir e se mover. Varia do tipo 0 (antes do nascimento) ao 4 (segunda ou terceira década de vida), dependendo do grau de comprometimento dos músculos e da idade em que surgem os primeiros sintomas. Até o momento, não há cura para a Atrofia Muscular Espinhal (AME).

Incesto no Brasil

A relação envolvendo incesto não é considerada crime no Brasil, a não ser quando envolve menores de 14 anos. O Código Civil apenas proíbe as uniões civis entre parentes. Incesto é quando parentes, consanguíneos ou afins, têm relações sexuais.

Com informações da Infoescola
Fernando Beteti

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2 comentários

Danilo 6 de setembro de 2022 - 10:28

Excetuando-se a questão genética, o restante (neste caso) trata mais da questão de convenção social. De um ponto de vista mais elevado, vejo dois SERES assumindo um sentimento.
Pq não há mais comoção quando se fala de união homoafetiva?

Responder
Teófilo Guilherme Reis 6 de setembro de 2022 - 12:41

Deus quando criou a vida já deixou nela a sua imunidade natural, o sofrimento ou a vida cheia de vida, como a consequências do comportamento dos seres vivos.

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