O intestino desempenha funções muito além da digestão. Ele é responsável pela produção de cerca de 90% da serotonina, neurotransmissor relacionado à sensação de bem-estar, ao humor e à regulação das emoções. Quando ocorre a disbiose, caracterizada pelo desequilíbrio da microbiota intestinal, processos inflamatórios podem comprometer a comunicação entre intestino e cérebro. Esse cenário favorece a chamada neuroinflamação, que pode estar associada ao agravamento de transtornos como a depressão.
“A neuroinflamação, causada por toxinas intestinais, atravessa a barreira hematoencefálica, interferindo na neuroplasticidade e agravando a saúde mental”, explica a Dra. Andreia. Isso significa que cuidar do intestino pode ser uma peça chave no tratamento da depressão.
Alimentação pode contribuir para a saúde mental
Segundo a especialista, uma alimentação equilibrada é um dos pilares para manter a microbiota intestinal saudável. Ela recomenda o consumo de alimentos ricos em triptofano, como sementes de abóbora, nozes e peixes, além de fontes de ômega-3, nutriente conhecido por sua ação anti-inflamatória.
Por outro lado, a redução do consumo de alimentos ultraprocessados também pode ser benéfica, já que esses produtos favorecem processos inflamatórios que podem impactar negativamente a saúde intestinal e o bem-estar emocional.
Tratamento da depressão deve ir além dos medicamentos
Embora os antidepressivos sejam importantes em muitos casos, a Dra. Andreia ressalta que uma abordagem integrada pode oferecer melhores resultados ao paciente.
Segundo a especialista, hábitos como a prática regular de exercícios físicos, meditação, fitoterapia e uma alimentação adequada podem complementar o tratamento, atuando sobre fatores relacionados à origem do problema e promovendo mais qualidade de vida.
Apoio familiar também é fundamental
Além dos cuidados com a saúde física, o suporte emocional de familiares e amigos pode fazer diferença durante o tratamento.
“Famílias precisam praticar a empatia, ouvir sem julgar e estar presentes”, lembrou Beteti.
A Dra. Andreia também destacou a importância de manter um diálogo aberto, especialmente com adolescentes, que muitas vezes enfrentam dificuldades emocionais sem demonstrar claramente o que estão vivendo.
Saúde intestinal e saúde mental caminham juntas
A conexão entre microbiota intestinal e cérebro vem sendo cada vez mais estudada, reforçando a importância de hábitos saudáveis para preservar o equilíbrio emocional e a qualidade de vida.
Se você ou alguém próximo apresenta sintomas persistentes de tristeza, ansiedade ou outros sinais de sofrimento emocional, procure ajuda profissional. O diagnóstico e o tratamento adequados são fundamentais para cuidar da saúde mental de forma completa.
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