A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nesta terça-feira, 12, que, até o momento, não há indícios de um surto maior de hantavírus relacionado aos casos registrados a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, que navegava pelo Oceano Atlântico. A doença, causada por um vírus transmitido principalmente por roedores, voltou a chamar atenção internacional após a confirmação de infecções e mortes envolvendo passageiros e tripulantes da embarcação.
Segundo o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, foram registrados 11 casos de hantavírus até agora, incluindo três mortes, entre passageiros ou tripulantes do navio MV Hondius.
“Neste momento, não há indícios de que estejamos presenciando o início de um surto maior. Mas, é claro, a situação pode mudar. E, considerando o longo período de incubação do vírus, é possível que vejamos mais casos nas próximas semanas”, avaliou Tedros, durante coletiva de imprensa.
De acordo com a OMS, nove dos 11 casos foram associados à cepa Andes, considerada a única variante conhecida capaz de provocar transmissão entre humanos, embora isso seja raro e normalmente aconteça em contatos muito próximos.
Hantavírus no Brasil
A Secretaria de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) confirmou a primeira morte por hantavírus no estado este ano. O caso, notificado em fevereiro e confirmado pela Fundação Ezequiel Dias, não tem relação com o surto da doença registrado em um navio de cruzeiro que navegava no Oceano Atlântico.
Em nota, a pasta informou que o paciente, um homem de 46 anos, era residente de Carmo do Paranaíba, no Alto Paranaíba, e apresentava histórico de contato com roedores silvestres em área de lavoura. A secretaria reforçou que a cepa de hantavírus identificada no Brasil não é transmitida de pessoa para pessoa.
O que é o hantavírus?
O hantavírus é um grupo de vírus transmitidos principalmente pelo contato com fezes, urina e saliva de roedores infectados. A contaminação costuma ocorrer quando partículas contaminadas ficam suspensas no ar e são inaladas pelas pessoas.
A doença pode provocar a chamada Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), considerada grave e potencialmente fatal. Segundo especialistas, o vírus pode afetar os pulmões e o sistema cardiovascular rapidamente.
Os casos mais comuns estão relacionados à exposição em áreas rurais, galpões, plantações, depósitos e locais fechados com presença de ratos silvestres.
Quais são os sintomas?
Os sintomas iniciais podem se confundir com os de uma gripe forte. Entre os principais sinais estão:
- febre alta;
- dores musculares intensas;
- fadiga;
- dor de cabeça;
- náuseas;
- vômitos;
- tontura;
- dores abdominais.
Nos casos mais graves, a doença pode evoluir rapidamente para:
- falta de ar;
- tosse;
- dificuldade respiratória;
- queda da pressão arterial;
- insuficiência pulmonar.
Segundo a OMS, passageiros infectados no navio apresentaram sintomas respiratórios agudos, febre elevada e problemas gastrointestinais.
Hantavírus tem tratamento?
Ainda não existe um medicamento específico capaz de curar o hantavírus. O tratamento é baseado em suporte médico intensivo, principalmente para controle respiratório e cardiovascular.
“Não existem medicamentos específicos para essa doença. O tratamento se baseia em cuidados de suporte, incluindo o uso de respiradores para os pacientes mais gravemente afetados.”
Pacientes em estado grave podem precisar de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), oxigênio e ventilação mecânica.
Especialistas alertam que o diagnóstico precoce aumenta as chances de sobrevivência, já que a doença pode se agravar em poucos dias.





