Um estudo publicado na revista científica Journal of Alzheimer’s Disease acendeu um alerta importante sobre o uso frequente de medicamentos para dormir. A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF), nos Estados Unidos, indica que o consumo de remédios como zolpidem e benzodiazepínico pode estar associado ao aumento do risco de demência — e que fatores como tipo de medicamento e frequência de uso fazem diferença significativa.
Uso frequente de soníferos eleva risco de demência
De acordo com o estudo, pessoas que utilizam medicamentos para dormir com frequência — classificados como “frequentemente” (de 5 a 15 vezes por mês) ou “quase sempre” (mais de 16 vezes ao mês) — apresentaram maior probabilidade de desenvolver demência ao longo do tempo.
Entre os participantes brancos, o risco foi 79% maior em comparação com aqueles que raramente ou nunca utilizavam esses medicamentos. Já entre os participantes negros, o aumento do risco não foi observado da mesma forma, o que pode estar relacionado a diferenças no padrão de uso e também a fatores socioeconômicos e de saúde.
Tipo de medicamento também influencia
Os pesquisadores identificaram que o tipo de remédio utilizado também impacta o risco cognitivo. Entre os participantes brancos, houve maior consumo de diferentes classes de medicamentos associados a efeitos no cérebro:
- Benzodiazepínicos (como triazolam, flurazepam e temazepam), indicados para insônia crônica, foram mais utilizados;
- Antidepressivos com efeito sedativo, como a trazodona, também apareceram com frequência;
- As chamadas “drogas Z”, como o zolpidem, foram amplamente consumidas.
Essas substâncias já são conhecidas por possíveis efeitos colaterais, principalmente quando usadas por longos períodos.
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Efeitos colaterais preocupam especialistas
O uso prolongado de medicamentos para dormir pode trazer consequências além do alívio temporário da insônia. Entre os principais riscos associados estão:
- Dependência química;
- Déficits cognitivos a longo prazo;
- Tontura e dor de cabeça;
- Episódios de amnésia;
- Sonambulismo;
- Agitação e até alucinações (especialmente com uso contínuo e em altas doses).
Estudo acompanhou idosos por quase uma década
A pesquisa analisou cerca de 3 mil idosos sem diagnóstico inicial de demência, acompanhados por aproximadamente nove anos. Do total, 58% eram brancos e 42% negros. Ao final do período, cerca de 20% dos participantes desenvolveram algum tipo de demência.
Os dados também mostraram que participantes brancos tinham três vezes mais chances de usar medicamentos para dormir com frequência em comparação com os negros.
Segundo os pesquisadores, fatores como renda e acesso a cuidados de saúde podem influenciar esses resultados. No caso dos participantes negros, aqueles que utilizavam esses medicamentos tendiam a ter maior nível socioeconômico e, possivelmente, maior reserva cognitiva — fator que pode proteger parcialmente contra a demência.
Alternativas ao uso de remédios para dormir
Diante dos riscos, especialistas recomendam cautela antes de recorrer a medicamentos para tratar problemas de sono. O primeiro passo é identificar a causa da dificuldade para dormir.
Casos de suspeita de apneia do sono, por exemplo, podem exigir exames específicos. Já para a insônia, a principal recomendação é a terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-i), considerada o tratamento de primeira linha.
Em alguns casos, a melatonina pode ser considerada uma alternativa com menor risco, embora ainda sejam necessários mais estudos sobre seus efeitos a longo prazo.
Insônia afeta milhões de pessoas no mundo
A insônia é um problema comum: cerca de um terço dos adultos relata dificuldade para iniciar ou manter o sono em algum momento. Diante disso, o uso de medicamentos acaba sendo uma solução rápida — mas que pode trazer riscos importantes à saúde cerebral no futuro.


