A esteatose hepática, popularmente conhecida como gordura no fígado, é uma condição que atinge milhões de brasileiros, muitas vezes sem apresentar sintomas evidentes. Apesar de parecer inofensiva em um primeiro momento, a doença pode evoluir para quadros graves como hepatite gordurosa, cirrose e até câncer de fígado. Entre os principais fatores que agravam a condição, uma bebida em especial se destaca como a pior inimiga do fígado: o álcool, especialmente na forma de bebidas destiladas.
- Quem envelhecer com saúde? Compre o livro de Fernando Beteti ’20 Suplementos para Viver Mais e Melhor’ e conheça um guia dos principais nutrientes
Por que o álcool é a pior bebida para quem tem gordura no fígado
Entre todas as bebidas consumidas no dia a dia, o álcool ocupa o topo da lista de vilões para o fígado. O motivo é simples: o fígado é o principal responsável por metabolizar o álcool, e esse processo gera substâncias tóxicas que danificam as células hepáticas.
Mesmo em quantidades moderadas, o consumo frequente de bebidas alcoólicas acelera a inflamação e o acúmulo de gordura no órgão. Estudos mostram que pacientes com esteatose hepática que continuam consumindo álcool têm maior risco de desenvolver hepatite alcoólica e cirrose hepática.
Além disso, o álcool agrava a resistência à insulina, um dos mecanismos centrais envolvidos no acúmulo de gordura no fígado, especialmente em pessoas com esteatose hepática não alcoólica (EHNA) — tipo mais comum da doença.
O que é gordura no fígado e como ela surge
A esteatose hepática é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura nas células do fígado. Em condições normais, o órgão consegue metabolizar pequenas quantidades de gordura. Mas quando há excesso, o fígado começa a armazenar gordura, prejudicando seu funcionamento.
A doença pode ser classificada em dois tipos:
- Esteatose hepática alcoólica, provocada pelo consumo de álcool;
- Esteatose hepática não alcoólica (EHNA), associada a fatores metabólicos.
A principal origem da esteatose não alcoólica está ligada a hábitos de vida pouco saudáveis, como:
- Dieta rica em açúcar e gorduras saturadas;
- Sedentarismo;
- Obesidade;
- Resistência à insulina e diabetes tipo 2.
Grupos de risco: quem tem mais chance de desenvolver gordura no fígado
Algumas pessoas têm maior probabilidade de desenvolver esteatose hepática, mesmo sem consumir bebidas alcoólicas. Estão no grupo de risco:
- Pessoas com sobrepeso ou obesidade;
- Diabéticos tipo 2;
- Indivíduos com colesterol ou triglicerídeos elevados;
- Portadores de síndrome metabólica;
- Hipertensos;
- Pessoas com histórico familiar da doença.
Vale destacar que a esteatose também pode afetar crianças e adolescentes, especialmente aqueles com obesidade infantil.
Sintomas: quando desconfiar da gordura no fígado
A esteatose hepática costuma ser silenciosa nos estágios iniciais. Em muitos casos, o diagnóstico ocorre de forma incidental, por meio de exames de imagem solicitados por outros motivos.
Quando os sintomas aparecem, os mais comuns são:
- Dor ou desconforto no lado direito do abdômen;
- Cansaço excessivo;
- Inchaço abdominal;
- Náuseas;
- Perda de apetite.
Nos casos mais graves, quando há inflamação e fibrose, podem surgir icterícia (pele e olhos amarelados), inchaço nas pernas e confusão mental.
Tratamento e prevenção: o que fazer ao receber o diagnóstico
Atualmente, não existe um medicamento específico para tratar a gordura no fígado. O tratamento é baseado na mudança do estilo de vida e no controle dos fatores de risco. As principais recomendações são:
- Eliminar o consumo de álcool completamente;
- Adotar uma alimentação balanceada, rica em vegetais, frutas, grãos integrais e gorduras boas;
- Reduzir o consumo de açúcar, frituras e alimentos ultraprocessados;
- Praticar atividade física regular (pelo menos 150 minutos por semana);
- Controlar o peso corporal;
- Tratar doenças associadas, como diabetes e colesterol alto.
Em alguns casos, o médico pode prescrever medicamentos para controlar os níveis de gordura no sangue ou a resistência à insulina.


