O amendoim é um alimento bastante consumido pelos brasileiros, seja na forma natural, torrado ou como ingrediente de paçocas, doces e pastas. Apesar de ser conhecido pelo conteúdo de proteínas e gorduras insaturadas, o produto exige cuidados que muitas pessoas desconhecem. Um dos principais riscos está na possível presença de aflatoxinas, substâncias tóxicas produzidas por determinados fungos.
O assunto foi abordado pela biomédica e PhD em Naturopatia Andreia Mombach durante entrevista ao canal Fernando Beteti. A especialista chamou a atenção para os perigos da contaminação por fungos e destacou que até mesmo o amendoim produzido em pequenas propriedades rurais pode apresentar problemas.
“Mesmo o amendoim do sítio, com casca, pode estar contaminado. O solo brasileiro favorece esses fungos”, explicou a biomédica.
Por que o amendoim pode representar riscos à saúde?
A preocupação envolve principalmente as aflatoxinas, substâncias produzidas por fungos do gênero Aspergillus. Esses microrganismos podem contaminar alimentos durante o cultivo, a colheita e o armazenamento, especialmente quando existem condições inadequadas de umidade e temperatura.
A exposição prolongada às aflatoxinas, sobretudo à aflatoxina B1, está associada ao aumento do risco de câncer de fígado. Por isso, a presença dessas substâncias em alimentos é monitorada por autoridades sanitárias.
Entretanto, é importante destacar que nem todo amendoim contém níveis perigosos dessas toxinas. Produtos submetidos a controles adequados de qualidade e armazenamento podem ser consumidos com segurança pela maioria das pessoas.
Outro cuidado envolve as alergias alimentares. O amendoim está entre os alimentos capazes de provocar reações alérgicas graves em indivíduos sensíveis, incluindo anafilaxia.
Paçoca e pasta de amendoim também exigem atenção?
Durante a entrevista, Andreia Mombach afirmou que a preocupação não deve ficar restrita ao amendoim consumido diretamente. Segundo ela, produtos derivados, incluindo pastas, paçocas e doces industrializados, também merecem atenção.
A biomédica questionou especialmente a percepção de que versões comercializadas como saudáveis ou fitness seriam necessariamente benéficas para todos os consumidores.
“Vejo pacientes que continuam doentes mesmo consumindo essas versões fitness. O problema é o alimento em si.”
Do ponto de vista da segurança alimentar, produtos derivados do amendoim também precisam respeitar os limites legais de aflatoxinas. Isso não significa, porém, que todos esses alimentos sejam prejudiciais ou devam ser eliminados da alimentação.
Especialista alerta para presença de fungos na alimentação
Outro tema discutido por Andreia Mombach foi a possível relação entre hábitos alimentares, proliferação de fungos e desenvolvimento de doenças.
A biomédica mencionou alimentos como açúcar, leite, glúten, soja e amendoim, defendendo mudanças na dieta para reduzir problemas que, segundo sua avaliação, estariam associados à presença de fungos no organismo.
“Uma célula de fungo pode virar mil em 24 horas. Se o ambiente interno não for limpo, o corpo adoece.”
Apesar do alerta, é necessário diferenciar a contaminação de alimentos por micotoxinas das infecções fúngicas no organismo. Não há evidências científicas suficientes para afirmar que o consumo desses alimentos, de maneira geral, provoque uma epidemia silenciosa de fungos ou seja responsável pelo desenvolvimento de câncer por esse mecanismo.
Como reduzir os riscos ao consumir amendoim?
A procedência e as condições de armazenamento são fundamentais para diminuir o risco de contaminação.
Entre os principais cuidados estão:
- Comprar amendoim e derivados de fabricantes confiáveis e com identificação adequada.
- Verificar o prazo de validade e as condições da embalagem.
- Evitar produtos com sinais de mofo, umidade ou deterioração.
- Guardar os alimentos em locais secos, frescos e protegidos da umidade.
- Não consumir amendoim com suspeita de contaminação, mesmo depois de torrado, já que o aquecimento comum não garante a eliminação das aflatoxinas.
Durante a entrevista, Andreia também mencionou ingredientes naturais, como alho, óleo de coco, gengibre, orégano, canela e cravo, como parte de estratégias alimentares voltadas ao controle de fungos.
Entretanto, esses ingredientes não substituem medidas de segurança alimentar, nem existem evidências clínicas robustas de que seu consumo elimine aflatoxinas do organismo.
O principal cuidado, portanto, é escolher alimentos de procedência conhecida e observar as recomendações sanitárias.
Embora o amendoim possa fazer parte de uma alimentação equilibrada, o alerta sobre as aflatoxinas reforça a importância de conhecer a origem dos produtos e evitar alimentos que apresentem sinais de armazenamento inadequado.
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