Um dos substitutos mais populares do açúcar pode não ser tão inofensivo quanto se imaginava. O eritritol, adoçante natural muito usado em alimentos e bebidas “sem açúcar”, foi associado a um risco maior de AVC e infarto, segundo um novo estudo da Universidade do Colorado, em Boulder, nos Estados Unidos. A pesquisa levantou preocupações sobre os efeitos desse tipo de adoçante, geralmente considerado seguro, mas que pode ter consequências negativas para a saúde vascular.
O eritritol é produzido, em geral, a partir da fermentação do milho. Ele oferece cerca de 80% da doçura do açúcar comum, praticamente não tem calorias e tem pouco efeito sobre os níveis de glicose ou insulina no sangue. Justamente por essas características, ele se tornou popular entre pessoas que buscam uma alimentação com menos açúcar e calorias. No entanto, um estudo com quatro mil participantes mostrou que homens e mulheres com níveis mais altos de eritritol no sangue apresentaram maior probabilidade de sofrer um AVC ou ataque cardíaco nos três anos seguintes.
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Além da análise com os voluntários, os pesquisadores também realizaram testes em laboratório. Células humanas que revestem os vasos sanguíneos do cérebro foram expostas, por três horas, a uma quantidade de eritritol equivalente à de uma bebida comum sem açúcar. Essas células apresentaram alterações significativas: passaram a produzir menos óxido nítrico, molécula responsável por relaxar e dilatar os vasos, e mais endotelina-1, proteína que os contrai. Quando foram expostas à trombina, uma substância que favorece a formação de coágulos, a resposta das células também foi alterada. Elas produziram muito menos t-PA, um composto que atua naturalmente como anticoagulante. Além disso, houve um aumento na produção de espécies reativas de oxigênio, os chamados radicais livres, que estão associados ao envelhecimento celular e à inflamação de tecidos.
“Nosso estudo se soma às evidências que sugerem que adoçantes não calóricos, geralmente considerados seguros, podem não estar isentos de consequências negativas para a saúde”, afirmou o professor Christopher DeSouza, diretor do Laboratório de Biologia Vascular Integrativa da Universidade do Colorado, ao site SciTechDaily. Ele destacou que o estudo utilizou apenas uma dose do adoçante. Por isso, o impacto pode ser ainda mais preocupante em pessoas que consomem várias porções por dia. DeSouza também alertou que, embora os dados sejam relevantes, o estudo foi realizado em laboratório e mais pesquisas em humanos são necessárias.
O pesquisador Berry, que também participou do estudo, resumiu os achados com uma observação direta: “Em termos gerais, se os seus vasos estão mais contraídos e sua capacidade de quebrar coágulos sanguíneos está reduzida, o risco de AVC aumenta. Nossa pesquisa mostra não apenas isso, mas também como o eritritol pode aumentar esse risco”.
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O trabalho foi publicado no Journal of Applied Physiology e reforça a necessidade de repensar o uso excessivo de adoçantes artificiais ou naturais, mesmo os considerados seguros. Para quem aposta em produtos “zero açúcar” como sinônimo de saúde, os dados servem como um alerta importante sobre os limites desse tipo de substituição.


