A saúde bucal pode estar muito mais ligada ao funcionamento do corpo do que grande parte das pessoas imagina. Durante entrevista ao canal Fernando Beteti, a biomédica e naturopata Dra. Andreia Mombach chamou atenção para um tema considerado polêmico dentro da medicina integrativa: a possibilidade de dentes tratados por canal, restaurações antigas de amálgama e cavitações ósseas atuarem como focos silenciosos de desequilíbrio no organismo.
O tema da live foi direto: “cemitério elétrico na boca”. A expressão foi usada para explicar a visão integrativa de que estruturas sem vitalidade biológica, como dentes submetidos a tratamento de canal, poderiam permanecer no corpo como áreas de baixa atividade elétrica, interferindo no equilíbrio sistêmico.
Segundo a entrevistada, um dente tratado por canal deixa de ter polpa, nervos e vasos sanguíneos ativos. Por isso, dentro dessa abordagem, ele é chamado de “dente morto”. Apesar de não estar mais vivo biologicamente, ele continua fixado no organismo. Para a Dra. Andreia, esse ponto pode representar um chamado “campo interferente”, conceito utilizado por profissionais da odontologia biológica e da medicina integrativa para descrever regiões que poderiam prejudicar a comunicação elétrica e energética do corpo.
Durante a conversa, a especialista afirmou que tecidos mortos não manteriam o mesmo potencial elétrico de tecidos saudáveis. Ela explicou que, na visão bioelétrica, a célula precisa de uma voltagem adequada para funcionar, regenerar e manter sua vitalidade. Quando essa voltagem cai, o ambiente se tornaria mais vulnerável a infecções crônicas e processos inflamatórios silenciosos.
Um dos pontos mais polêmicos da entrevista foi a comparação entre um dente sem vitalidade e uma parte necrosada do corpo. A entrevistada questionou por que, em outras áreas da medicina, tecidos necrosados são removidos, enquanto na boca muitas vezes se aceita manter uma estrutura sem vida por anos. Para ela, essa divisão entre odontologia e medicina criou uma visão fragmentada do paciente.
Outro tema de forte impacto foi o uso de amálgamas dentárias, restaurações metálicas utilizadas há décadas. A Dra. Andreia explicou que a amálgama contém mercúrio em sua composição e afirmou que esse material poderia liberar vapor de mercúrio de forma contínua, especialmente durante mastigação, bruxismo ou consumo de bebidas quentes.
Segundo ela, o mercúrio seria uma substância altamente neurotóxica, capaz de atravessar membranas celulares e impactar processos mitocondriais, produção de energia, estresse oxidativo e neurotransmissores. Na entrevista, a especialista relacionou essa exposição a sintomas como fadiga crônica, ansiedade, síndrome do pânico, déficit cognitivo e névoa mental. A fala, no entanto, foi apresentada dentro da perspectiva da medicina integrativa e não como diagnóstico universal para todos os pacientes.
A biomédica também destacou que a presença de diferentes metais na boca poderia gerar correntes galvânicas, funcionando como pequenos circuitos elétricos. Para ela, isso poderia alterar o potencial elétrico local e influenciar o corpo de forma sistêmica, especialmente em pessoas com predisposição genética, baixa capacidade de detoxificação, inflamações crônicas ou microbiota desequilibrada.
A live também abordou as chamadas cavitações ósseas, descritas como áreas de osso que não cicatrizaram adequadamente após extrações dentárias. De acordo com a entrevistada, essas regiões podem ser assintomáticas, mas ainda assim funcionar como focos de inflamação de baixo grau. Ela citou a necessidade de exames mais específicos, como tomografias, para avaliar esses casos de forma mais precisa.
Um ponto importante da entrevista foi o alerta contra decisões precipitadas. A Dra. Andreia afirmou que ninguém deve remover dentes, canais ou amálgamas de forma indiscriminada. Segundo ela, qualquer procedimento precisa ser feito com avaliação profissional, planejamento, suporte sistêmico e, no caso das amálgamas, protocolos seguros de remoção para proteger o paciente e a equipe.
A especialista defendeu uma abordagem individualizada, considerando nutrição, detoxificação, sistema imunológico, energia mitocondrial, histórico clínico, exames e avaliação odontológica integrativa. Para ela, o erro está em tratar a boca como algo separado do restante do corpo.
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