O papa Leão XIV agradeceu as orações recebidas dos fiéis católicos em sua primeira manifestação após o diagnóstico de câncer de pulmão. A mensagem foi divulgada nesta quarta-feira, 14 de outubro, um dia depois de o pontífice passar por uma cirurgia em Roma para a retirada de um nódulo no pulmão direito.
De acordo com as informações divulgadas, os médicos identificaram um adenocarcinoma pulmonar, o subtipo mais comum de câncer de pulmão. A doença pode se desenvolver de maneira silenciosa, sem provocar sintomas evidentes nas fases iniciais. O diagnóstico precoce é considerado fundamental para aumentar as possibilidades de tratamento e cura.
A manifestação do papa foi direcionada aos participantes de um encontro internacional realizado no Vaticano em comemoração aos dez anos da Amoris laetitia, documento publicado pelo papa Francisco sobre a atuação da Igreja Católica junto aos casais e às famílias.
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Impossibilitado de participar presencialmente do evento por causa da internação, Leão XIV enviou uma mensagem de agradecimento e pediu que os fiéis continuassem rezando por sua recuperação.
“Agradeço de coração por suas orações e pelo trabalho que realizaram juntos. O compartilhamento de experiências e a escuta atenta de vocês são, de fato, um dom para toda a Igreja. Peço-lhes, por favor, que rezem por mim, assim como eu rezo por vocês”, afirmou.
Papa Leão XIV passou por cirurgia para retirar nódulo no pulmão
O procedimento cirúrgico foi realizado nesta terça-feira, 13, após exames identificarem uma alteração no pulmão direito do pontífice.
Segundo as informações apresentadas, o nódulo havia sido detectado durante exames de rotina. A investigação médica apontou a presença de adenocarcinoma pulmonar, um tumor maligno pertencente ao grupo dos cânceres de pulmão de não pequenas células.
A cirurgia para remoção do tumor é uma das possibilidades de tratamento da doença, especialmente quando a lesão está localizada e pode ser retirada.
Até o momento, segundo o relato divulgado, não foram informados o estágio do câncer, a extensão da doença ou a necessidade de tratamentos complementares, como quimioterapia, radioterapia ou imunoterapia.
O prognóstico depende de fatores como o tamanho do tumor, a presença de comprometimento dos gânglios linfáticos, a eventual disseminação para outros órgãos e as condições clínicas do paciente.
O que é adenocarcinoma pulmonar, câncer diagnosticado no papa?
O adenocarcinoma pulmonar é um tipo de câncer que se desenvolve a partir de células glandulares presentes nos pulmões, frequentemente em regiões periféricas do órgão.
Essas células estão associadas à produção de substâncias como o muco. O tumor costuma surgir nas pequenas estruturas pulmonares responsáveis pelas trocas gasosas, incluindo áreas próximas aos alvéolos.
A doença pertence ao grupo dos carcinomas de não pequenas células, responsável pela maioria dos casos de câncer de pulmão.
Em comparação com determinados outros tipos de tumores pulmonares, o adenocarcinoma pode apresentar crescimento mais lento. Entretanto, sua evolução varia de acordo com as características biológicas de cada tumor.
Uma particularidade importante é que o adenocarcinoma também pode atingir pessoas que nunca fumaram, embora o tabagismo continue sendo o principal fator de risco para o câncer de pulmão.
Quais são os sintomas do adenocarcinoma de pulmão?
Um dos principais desafios para identificar a doença é que os sintomas podem demorar a aparecer ou ser confundidos com manifestações de problemas respiratórios mais comuns.
Entre os sinais que merecem atenção estão:
- Tosse persistente ou que piora progressivamente;
- Falta de ar e dificuldade para respirar;
- Dor no peito;
- Rouquidão;
- Cansaço excessivo e fadiga;
- Chiado no peito;
- Tosse acompanhada de sangue;
- Dificuldade para engolir;
- Perda de apetite;
- Emagrecimento sem causa aparente;
- Inchaço no rosto ou nas veias do pescoço.
A presença desses sintomas não significa necessariamente que a pessoa tenha câncer. Entretanto, alterações persistentes devem ser avaliadas por um profissional de saúde.
A tosse com sangue, especialmente quando acompanhada de dificuldade respiratória, exige avaliação médica rápida.
O que causa o câncer de pulmão?
O cigarro é o principal fator de risco conhecido para o desenvolvimento do câncer de pulmão. As substâncias tóxicas presentes na fumaça do tabaco podem provocar alterações no DNA das células, favorecendo o aparecimento de tumores malignos.
No entanto, a doença não é exclusiva de fumantes.
O adenocarcinoma é o subtipo de câncer de pulmão mais frequentemente encontrado entre pessoas que nunca fumaram e apresenta proporção relativamente maior entre mulheres e adultos mais jovens do que outros subtipos da doença.
Além do tabagismo, existem fatores ambientais e ocupacionais associados ao aumento do risco, como exposição ao fumo passivo, gás radônio, amianto, emissões de motores a diesel e determinados compostos industriais.
A poluição atmosférica também é reconhecida como fator de risco para o desenvolvimento de câncer pulmonar.
Como é feito o diagnóstico?
A investigação geralmente começa com uma avaliação clínica e exames de imagem, principalmente tomografia computadorizada do tórax.
Dependendo das características da lesão, os médicos podem solicitar exames complementares para avaliar sua localização, tamanho e possível disseminação.
A confirmação do câncer normalmente depende da análise de uma amostra de tecido, obtida por biópsia ou durante um procedimento cirúrgico.
Após a confirmação, a equipe médica realiza o chamado estadiamento, processo que identifica a extensão da doença e orienta a escolha do tratamento.
Câncer de pulmão tem cura?
Sim. O adenocarcinoma pulmonar pode ter cura, especialmente quando descoberto nos estágios iniciais, antes de atingir os gânglios linfáticos ou outros órgãos.
Nos casos em que o tumor está localizado, a cirurgia pode ser uma alternativa com intenção curativa.
Dependendo do estágio e das características moleculares do câncer, o tratamento também pode envolver quimioterapia, radioterapia, imunoterapia e terapias-alvo.
Mesmo após a retirada cirúrgica, alguns pacientes precisam de acompanhamento especializado e tratamentos adicionais para reduzir o risco de retorno da doença.
No caso do papa Leão XIV, ainda não há informações suficientes para determinar as perspectivas de recuperação ou a necessidade de novas intervenções médicas.
Vaticano informa que papa apresenta boa recuperação
Em atualização divulgada nesta quarta-feira, 14, o Vaticano informou que o pontífice, de 71 anos, passou a primeira noite após a cirurgia tranquilamente.
O procedimento ocorreu no Hospital Policlínico Gemelli, em Roma, e durou aproximadamente 90 minutos. Os médicos retiraram o lobo inferior do pulmão direito por meio de uma técnica cirúrgica assistida por vídeo. Não foram registradas complicações durante a operação.
Ainda nesta quarta-feira, informações médicas indicaram que Leão XIV já havia saído da cama, caminhado, se alimentado normalmente e iniciado sessões de fisioterapia respiratória. Exames de sangue e radiografia do tórax apresentaram resultados compatíveis com a recuperação esperada após a cirurgia.
A previsão inicial é de aproximadamente uma semana de internação. Os compromissos públicos do papa foram cancelados até 20 de outubro.



