Um novo estudo publicado neste ano no Journal of Affective Disorders, revista científica da Sociedade Internacional de Transtornos Afetivos, sugere que manter uma vida sexual ativa pode estar associada a um menor risco de depressão. A pesquisa foi conduzida por cientistas das universidades de Shenzhen e Shantou, na China, e analisou dados de mais de 15 mil adultos nos Estados Unidos.
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De acordo com os autores, pessoas que fazem sexo uma ou duas vezes por semana apresentaram menores chances de desenvolver sintomas depressivos em comparação àquelas que mantêm relações sexuais com menor frequência. O estudo, intitulado “Optimal sexual frequency may exist and help mitigate depression odds in young and middle-aged U.S. citizens”, utilizou dados da pesquisa nacional americana National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES), realizada entre 2005 e 2016.
Os resultados mostraram que indivíduos que relataram atividade sexual semanal tiveram cerca de 40% menos probabilidade de apresentar sinais de depressão. Já aqueles que disseram ter relações apenas uma vez por mês tiveram risco reduzido em cerca de 30%, em comparação aos que quase nunca mantinham vida sexual ativa. Segundo os pesquisadores, a frequência considerada “ideal” para o bem-estar mental foi de 52 a 103 relações por ano, o que equivale a uma ou duas vezes por semana.
Embora o estudo aponte uma forte associação entre a frequência sexual e a saúde mental, os autores alertam que os dados são observacionais e não provam que o sexo, por si só, previne a depressão. “Os resultados sugerem uma possível relação bidirecional: pessoas com menos sintomas depressivos tendem a ter mais interesse sexual, e a atividade sexual pode, por sua vez, contribuir para o bem-estar emocional”, explicam os pesquisadores.
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Para especialistas em saúde mental, os achados reforçam a importância de considerar o prazer, o afeto e a intimidade como aspectos relevantes da qualidade de vida. A prática sexual libera neurotransmissores como dopamina, endorfina e oxitocina, hormônios ligados à sensação de prazer e relaxamento, o que pode ajudar a reduzir o estresse e melhorar o humor.
A pesquisa reacende o debate sobre os fatores de estilo de vida que impactam diretamente a saúde mental, destacando que hábitos simples — como manter conexões afetivas, dormir bem, praticar exercícios físicos e, agora, cuidar da vida sexual — podem ter um papel importante na prevenção da depressão.



