Um caso extremo de constipação chamou a atenção de médicos nos Estados Unidos: uma jovem de 25 anos precisou ser internada após passar quatro meses sem conseguir evacuar. O relato foi publicado no Cureus Journal of Medical Science e serve de alerta para os riscos de ignorar sintomas persistentes de intestino preso.
A paciente, que convivia com constipação crônica desde a infância, só procurou atendimento médico quando as dores abdominais e o inchaço se tornaram insuportáveis. Mesmo com o uso de laxantes, enemas e medicamentos vendidos sem prescrição, ela não conseguia evacuar. Em alguns momentos, apresentou vazamento involuntário de fezes líquidas, um sinal clássico de impactação fecal severa — quando as fezes endurecidas bloqueiam o intestino.
Cólon dilatado e fezes como “argila”
No exame físico, os médicos identificaram um abdômen extremamente endurecido, com textura semelhante a “argila densa e úmida”, indicando acúmulo de fezes por todo o trato gastrointestinal. Uma tomografia computadorizada confirmou o diagnóstico e revelou um cólon sigmoide dilatado, com até 15 cm de diâmetro — bem acima do considerado normal. Essa anomalia anatômica contribui para o agravamento da prisão de ventre.
Apesar da gravidade do caso, a jovem recusou a cirurgia de remoção parcial do intestino sugerida pelos médicos como solução definitiva. Optou por um tratamento conservador, com sessões de desimpactação manual sob anestesia — procedimento delicado e desconfortável, usado em situações de emergência.
Dieta líquida, laxantes potentes e perda de peso
Durante a internação, a paciente foi submetida a uma dieta líquida, uso de laxantes potentes e monitoramento constante. Em poucos dias, conseguiu evacuar 21 vezes e eliminou cerca de 4,5 kg de fezes acumuladas, reduzindo seu peso corporal de 58,4 kg para 53,9 kg.
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Após a alta, os médicos recomendaram acompanhamento com especialistas em gastroenterologia e cirurgia colorretal, além da continuidade do tratamento para regular o funcionamento intestinal. No entanto, ela não compareceu às consultas agendadas.
Constipação crônica pode ser grave
Casos como esse reforçam a importância de não ignorar sintomas persistentes de intestino preso, como dor abdominal, inchaço e dificuldade frequente para evacuar. Segundo especialistas, a constipação crônica pode estar relacionada a hábitos alimentares pobres em fibras, baixa ingestão de líquidos, sedentarismo e até alterações anatômicas do intestino.
O tratamento pode incluir mudanças no estilo de vida, uso de medicamentos, terapias específicas e, em casos mais graves, procedimentos médicos. A prevenção e o diagnóstico precoce são essenciais para evitar complicações como a impactação fecal.


