A possível relação entre o consumo de carne vermelha e o desenvolvimento de câncer continua provocando dúvidas. Durante entrevista ao jornalista Fernando Beteti, o médico João Haddad afirmou que o assunto não pode ser analisado sem considerar toda a alimentação da pessoa.
Segundo o médico, um dos principais erros é colocar carnes frescas e produtos industrializados na mesma categoria. Um pedaço de carne bovina comprado no açougue é diferente de salsicha, presunto, salame, nuggets, almôndegas prontas e carnes enlatadas.
Esses produtos passam por diferentes processos de conservação e podem receber sal, conservantes, nitritos e outros ingredientes. Quando fazem parte da alimentação diária, acompanhados por refrigerantes, pães, massas e outros produtos industrializados, podem aumentar os prejuízos à saúde.
Carne processada exige mais cuidado
A diferença destacada pelo entrevistado também aparece nas avaliações da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer. A instituição classifica a carne processada como cancerígena para humanos, devido às evidências de relação com o câncer colorretal.
A carne vermelha foi colocada na categoria de “provavelmente cancerígena”, porque existem associações observadas, mas outros fatores envolvidos na alimentação e no estilo de vida não foram totalmente descartados.
Estar na mesma categoria de comprovação do cigarro não significa que a carne processada ofereça o mesmo nível de perigo. A classificação avalia a força das evidências, não o tamanho do risco.
A forma de preparo também importa
Outro ponto importante da entrevista foi o preparo da carne. Segundo Haddad, deixar a carne excessivamente queimada ou em contato direto com chamas pode favorecer a formação de substâncias indesejáveis.
A IARC confirma que temperaturas muito altas, frituras e contato direto com o fogo produzem mais compostos potencialmente cancerígenos. Entretanto, ainda não existem dados suficientes para determinar quanto cada forma de preparo altera diretamente o risco de câncer.
Por isso, a orientação prática é evitar partes carbonizadas e reduzir o consumo frequente de carnes processadas. Cozinhar, assar ou grelhar sem queimar são escolhas mais prudentes.
O conjunto da alimentação faz diferença
Para Haddad, não é correto responsabilizar apenas a carne quando a rotina inclui excesso de açúcar, refrigerantes, frituras, massas e alimentos industrializados. “O contexto é mais importante”, afirmou o médico durante a entrevista.
A carne também fornece proteínas, ferro, vitaminas e outros nutrientes. A decisão de consumir, reduzir ou retirar esse alimento precisa considerar idade, condições de saúde, exames, quantidade consumida e orientação profissional.
O ponto central não é tratar toda carne como perigosa ou inofensiva. Carne fresca, embutidos industrializados e partes queimadas apresentam características diferentes. Saber separar esses alimentos ajuda a fazer escolhas mais conscientes.
Aviso: Este conteúdo é informativo e não substitui consulta, diagnóstico ou acompanhamento médico.
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