Muito antes de a expressão saúde cerebral ganhar popularidade, o neurologista Rudolph E. Tanzi já ajudava a transformar o conhecimento científico sobre o funcionamento do cérebro e as doenças neurodegenerativas. Professor da Universidade Harvard e codiretor do Centro Henry e Allison McCance para Saúde Cerebral, no Hospital Geral de Massachusetts, Tanzi é um dos principais pesquisadores do mundo quando o assunto é doença de Alzheimer. Ao longo de mais de 46 anos de carreira, ele participou da descoberta de três genes ligados diretamente à enfermidade e publicou centenas de estudos que influenciaram a neurociência moderna.
Em 2023, o pesquisador ampliou o alcance de suas ideias ao lançar o livro Super Brain, em parceria com Deepak Chopra. A obra propõe que o cérebro humano tem um potencial muito maior do que o utilizado no dia a dia e que escolhas conscientes podem estimular crescimento mental, criatividade e bem-estar ao longo da vida.
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O método Shield para a saúde cerebral
Além da atuação acadêmica, Tanzi desenvolveu um plano de prevenção conhecido como Shield, baseado em hábitos cotidianos que ajudam a preservar a função cognitiva e reduzir o risco de doenças como o Alzheimer. O método se apoia em seis pilares principais: sono, controle do estresse, interação social, atividade física, aprendizado contínuo e alimentação saudável.
Aos 67 anos, o cientista afirma que aplica esses princípios no próprio dia a dia para se manter mentalmente ativo, fisicamente saudável e produtivo.
Sono adequado ajuda a “limpar” o cérebro
Dormir entre sete e oito horas por noite é considerado essencial para a saúde cerebral. Durante o sono profundo, o cérebro consolida memórias e elimina toxinas, incluindo as placas amiloides associadas ao desenvolvimento do Alzheimer. Esse processo de limpeza ocorre muitos anos antes do surgimento dos primeiros sintomas da doença.
Para garantir um descanso de qualidade, Tanzi evita telas e estímulos digitais antes de dormir e ajusta seu horário de sono de acordo com a hora em que precisa acordar. Quando dorme menos do que o ideal, ele recomenda cochilos curtos para compensar.
Reduzir o estresse protege as funções cognitivas
O estresse crônico é apontado como um dos fatores que aceleram o declínio cognitivo. Ele estimula a liberação excessiva de cortisol, um hormônio que pode ser tóxico para o cérebro quando mantido em níveis elevados por longos períodos.
Tanzi destaca que as exigências da vida moderna, como redes sociais e excesso de informações, contribuem para níveis inéditos de estresse. Para lidar com isso, ele recomenda práticas como meditação, pausas frequentes ao longo do dia e exercícios de atenção plena, evitando ficar preso a pensamentos sobre o passado ou preocupações excessivas com o futuro.
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Vida social ativa também fortalece o cérebro
Manter vínculos sociais é outro ponto central do método Shield. A solidão está associada a um risco maior de doenças neurodegenerativas, enquanto interações sociais frequentes ajudam a estimular áreas importantes do cérebro.
Segundo Tanzi, o ideal é conviver regularmente com pessoas que tragam bem-estar emocional, já que relações negativas podem gerar estresse e anular os benefícios sociais.
Exercício físico estimula novas conexões neurais
A prática regular de atividade física aumenta o fluxo sanguíneo cerebral, estimula a formação de novas células nervosas e ajuda a reduzir o acúmulo de amiloide no cérebro. Estudos recentes indicam que cada mil passos diários podem atrasar o desenvolvimento do Alzheimer em até um ano.
Na rotina, Tanzi alterna sessões de bicicleta ergométrica com caminhadas ao ar livre, priorizando constância e movimento diário.
Aprender coisas novas cria reserva cognitiva
Desafiar o cérebro com novos aprendizados fortalece as conexões neurais responsáveis pela memória e pelo raciocínio. Quanto maior essa reserva sináptica, menor o risco de comprometimento cognitivo ao longo do envelhecimento.
Fora do laboratório, Tanzi se dedica à música, toca teclado, compõe e também estimula o cérebro por meio da leitura, documentários e podcasts.
Alimentação saudável
A saúde do cérebro também está ligada ao equilíbrio do microbioma intestinal. Uma alimentação rica em fibras, frutas, verduras, azeite de oliva e grãos favorece bactérias benéficas que ajudam a reduzir inflamações e eliminar placas associadas ao Alzheimer.
Tanzi segue majoritariamente a dieta mediterrânea e prioriza alimentos naturais, evitando ultraprocessados. Para ele, cuidar do intestino é uma das estratégias mais eficazes para proteger o cérebro a longo prazo.



Muito interessante e importante essa reportagem, orientando de forma tão simples como cuidar da saúde e prevenir ou controlar o Alzheimer.