Pesquisadores brasileiros estão avançando no desenvolvimento de um tratamento inovador contra cárie que dispensa totalmente o uso da broca. A tecnologia, criada por uma startup formada por pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), está sendo aperfeiçoada no superlaboratório Sirius, em Campinas (SP), um dos centros de pesquisa mais avançados do país. O objetivo é oferecer uma alternativa indolor, mais precisa e menos invasiva para combater infecções dentárias.
A solução utiliza nanopartículas de prata — estruturas até 50 mil vezes mais finas que um fio de cabelo — capazes de atacar diretamente as bactérias responsáveis pelas lesões. No Sirius, os cientistas conseguem observar em detalhes como essas partículas interagem com as infecções nos dentes, garantindo maior precisão no desenvolvimento do produto. O projeto foi selecionado para um programa de aceleração tecnológica do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM).
Como funciona a tecnologia que combate a cárie
A cárie se forma quando bactérias se fixam no dente e se multiplicam. As nanopartículas de prata penetram na estrutura dentária, aderem às bactérias e rompem suas membranas, impedindo o funcionamento celular. Esse processo interrompe o avanço da cárie e cria uma camada de proteção no local afetado.
Nos testes clínicos já realizados, a formulação apresentou alta eficiência e foi aplicada em mais de três mil crianças, segundo os pesquisadores. O tratamento não provoca dor e elimina a necessidade de anestesia e instrumentos perfurantes, tornando o atendimento mais rápido e menos traumático para os pacientes.
Cárie na mira: Testes em consultórios mostram aceitação
A solução está sendo aplicada de forma experimental em um consultório odontológico de Campinas. Pacientes que participam dos testes relatam conforto e facilidade durante o procedimento, especialmente por não sentir dor — um dos maiores receios no tratamento convencional.
Profissionais também destacam as vantagens. A aplicação localizada das nanopartículas permite atingir apenas a área afetada, preservando partes saudáveis do dente que muitas vezes são removidas durante o uso da broca. De acordo com especialistas envolvidos no projeto, o método também melhora o comportamento das crianças na cadeira odontológica, já que o medo da maquininha deixa de existir.
Próximos passos da pesquisa
O trabalho realizado no Sirius ajuda a desenvolver uma nova etapa do projeto, voltada à prevenção. A intenção é criar um produto capaz de tornar a superfície dentária menos suscetível à fixação de bactérias, reduzindo o risco de novas lesões.
Antes de chegar ao mercado, a solução ainda passará por rigorosos testes de segurança. O CNPEM reforça que o mapeamento detalhado da ação das nanopartículas é essencial para garantir confiabilidade ao futuro tratamento.
Após a conclusão desta fase no superlaboratório, a equipe retorna a Pernambuco para seguir com o desenvolvimento. A startup também iniciará o processo de solicitação de autorização à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), etapa necessária para que o produto possa ser comercializado em todo o país.
As informações são do G1



