Casos de jovens, atletas e pessoas aparentemente saudáveis infartando têm chamado atenção. Durante entrevista ao canal Fernando Beteti, o médico Dr. João Haddad afirmou que o infarto raramente acontece “do nada” e que exames básicos, como colesterol total, HDL e LDL, não mostram toda a realidade do risco cardiovascular.
Segundo o médico, muitas pessoas se sentem seguras ao ver o colesterol dentro dos padrões, mas podem estar convivendo com inflamação crônica, resistência à insulina, gordura visceral, pressão alterada e outros sinais metabólicos ignorados.
Para Haddad, o colesterol é apenas parte da história. Ele defende que o risco de infarto precisa ser avaliado dentro de um contexto maior, incluindo alimentação, treino, hormônios, marcadores inflamatórios, glicose, insulina, pressão arterial, histórico familiar e estilo de vida.
Um dos alertas centrais da entrevista foi sobre a inflamação silenciosa. De acordo com o médico, a formação de placas nas artérias está diretamente ligada a processos inflamatórios crônicos. Por isso, uma pessoa pode não sentir nada, apresentar exames aparentemente normais e ainda assim estar em risco.
A síndrome metabólica também foi apontada como um dos principais terrenos para o infarto. Barriga visceral, cansaço constante, baixa libido, impotência, pressão alta e glicose alterada podem ser sinais de que o corpo já está dando alertas.
Outro ponto abordado foi o uso de remédios como falsa segurança. O médico explicou que controlar números com medicamentos, sem mudar alimentação, sono, atividade física, estresse e composição corporal, pode mascarar o problema.
Para ele, prevenção exige estratégia: investigar inflamações, melhorar a alimentação, praticar treino de força, controlar a pressão, avaliar marcadores metabólicos e buscar acompanhamento médico individualizado.
A principal mensagem da entrevista é clara: não basta olhar apenas para o colesterol. A saúde do coração depende do conjunto do metabolismo e dos hábitos de vida.


