Livro: Minha História, de Fernando Beteti

Livro: Minha História, de Fernando Beteti

Por que resolvi escrever esse livro?

Três de junho de 2003…estava eu ali, com meu filho Victor Hugo, o Vitinho, na maternidade, à espera da Priscila, a irmãzinha que estava a caminho, enquanto Adriane, minha esposa, estava no centro cirúrgico sendo preparada para o parto. A sala era apertada pra tanta gente. Toda a família estava comigo… E enquanto disfarçávamos a ansiedade, as conversas giravam em torno dos nove meses de gestação e das apostas sobre quem minha garotinha seria parecida. O clima era de alegria, celebração.

O tempo passava e cada minuto parecia uma eternidade, até que ouvimos o choro. Nessa hora, o suspense deu lugar à tranquilidade. Pronto! Nasceu. Naquele instante, uma nova página se inicia em nossa família… Fomos todos para a porta do centro cirúrgico esperar o pediatra trazer a Priscila, pra dar o primeiro oi pra sua família.

Se passou quase meia hora e nada… Acostumado a fazer reportagens em centros cirúrgicos, estranhei a demora, mas não quis preocupar os familiares, especialmente meu filho, embora eu já estivesse preocupado.

Percebi, então, os passos do médico vindo…Ele abriu a porta de acesso ao centro cirúrgico e mostrou a Priscila… Foram 30 segundos de alegria. Em seguida, o médico me chamou e disse: pai, preciso falar contigo. A dúvida se transformaria em certeza de que havia mesmo algo errado com minha pequena. A adrenalina se espalhou por todo meu corpo. A família toda olhou pra mim, mas o sorriso deu lugar ao olhar de preocupação e disseram: “vai lá Fernando. Vai ver o que médico quer.” Parecia um coro. Todos atentos ao que o médico iria dizer. Na hora, só pensei em pedir a eles que distraíssem o Victor Hugo. Entrei na sala para esperar o pediatra. E ali se passaram os minutos mais longos da minha vida…

A porta se abre, os cumprimento de praxe e vem a notícia que ninguém espera ouvir: “Pois é pai, a Priscila me parece que nasceu com um problema no coração. Gostaria de falar que sua filha é perfeita, mas infelizmente você tem que ser forte. Não podemos precisar o que é, pois teremos que fazer vários exames, mas clinicamente dá pra perceber um grande sopro cardíaco, uma certa arritmia e uma discreta cianose.”

O estado de saúde da minha filha era tão delicado que o médico me avisou que já iria chamar uma UTI móvel, com suporte para diagnóstico para imagens, e que eu aguardasse pois a Adriane estava bem e já estava a caminho do apartamento. Ai dizer isto, o médico voltou para a pediatria.

A dor, as lágrimas, a súplica

Meus queridos, impressionante como em minutos a vida da gente pode mudar da água para o vinho, a alegria virar angústia, o sonho se tornar um pesadelo. Nesse momento, o chão sumiu debaixo dos meus pés, mas eu tinha que voltar na sala onde os familiares me esperavam. Como levar aquela notícia da forma menos dolorosa possível? Em um minuto eu elaborei centenas de discursos e frases prontas para acalmar a minha esposa, meu filho Victor Hugo, que esperava a irmãzinha com tanta ansiedade e os familiares.

Abri a porta e disparei. Disse a todos que Priscila havia nascido com um problema cardíaco, iria fazer os exames necessários e que poderia ser um simples sopro cardíaco, relativamente normal, que desaparece com o tempo, na maioria das crianças. Mas o Victor não entendia nada do que eu estava dizendo. Ele só tinha o pensamento voltado para o que lhe foi incentivado durante os nove meses: ver a Priscila no quarto. Nessa hora meu coração estava completamente fora do ritmo. Nove meses aguardando um momento de alegria para a chegada da minha filha e, em poucos segundos, tudo se transforma em uma pergunta: “Meu Deus, o que vai acontecer agora?”.

Minha indagação foi interrompida pela enfermeira, me pedindo para me dirigir à portaria do hospital, para acompanhar a Ambulância que levaria Priscila. Dei um beijo no meu filho, pedi pra que ele se comportasse que o papai voltaria logo. Subi na ambulância e os paramédicos trouxeram minha filha em um berço móvel climatizado e preparado para aquele tipo de transporte.

A essa altura, eu chorava copiosamente internamente… Soluços que ninguém ouvia. Eu tremia, com os olhos encharcados… Mas me mantive ali firme… Olhava para Priscila e dizia que tudo iria ficar bem, que não era nada e que já estaríamos de volta para os braços da mamãe e do Vitinho, o caçula. Que voltaríamos logo pra casa e que ela iria conhecer o quarto rosa e cheio de brinquedos.

Queridos, fiz todas orações possíveis… Conversei com Deus. Implorei o seu milagre instantâneo e prometi tudo o que eu poderia e não poderia cumprir. Algumas horas de vida e um amor infinitamente grande e que jamais aceitaria uma doença grave que pudesse fazê-la partir. Essa possibilidade era inconcebível para mim. Desesperado diante da situação, fui de humilde à arrogante com Deus. Pensava na família perfeita, Adriane, Victor, Prisicla e eu e repetia: “Deus, esperei isso. Esperei e lutei pela família perfeita, onde a ordem natural das coisas é o que esperamos…”

Agora eu conseguia imaginar a dor de uma pai diante do risco de perder um filho. Logo eu que ao cuidar do meu filho com infecções normais de toda criança já sofria enormemente… Naquele instante eu experimentava o amor sem medida de um pai e o medo tomava conta de mim… Tudo isso se passou em cinco longos minutos de viagem entre o hospital e a clínica, onde minha filha passaria por exames.

Ao chegar na clínica, o cenário era de um filme americano, ambulância com sirene, prioridade no atendimento, pacientes, profissionais todos olhando para aquele bebê com poucas de horas de vida. Minha preocupação era que os exames fossem feitos o mais rápido possível.

Na sala de diagnóstico, o médico nos esperava e tentou me acalmar dizendo que tudo ia dar certo e que faria o melhor para minha filha. E eu pensava no Victor, na Adriane e na família… Todos aguardavam por notícias, no hospital.

Enquanto a enfermeira despia a Priscila para os exames eu, apesar de estar ali, completamente fragilizado, me fazia de forte, chorava pro dentro, a clamar por um milagre e a negociar com Deus. Eu ainda tentava me convencer que não seria nada grave, um erro do pediatra, quem sabe e que dali a pouco íamos rir da situação… Eu pensava em tudo, também pensava no pior e tentava comandar meu cérebro com pensamentos positivos, mas na verdade, mais parecia um liquidificador, com tudo misturado…

Era junho, mês de baixas temperaturas aqui no Sul. Ao sentir o toque do aparelho de ultrassom deslizar o gel gelado sobre a pele, a Priscila chorava e eu ali sofrendo junto… Após dez minutos, de olho na tela, o médico começa a falar as primeiras impressões. “Me parece que é uma tetralogia de falto cardiopático congênita grave, mas não se preocupe tem cirurgia pra corrigir. Ao vasculhar o tórax da minha Priscila, ele continua: “Vejo mais vazios do que o normal no arco da aorta.” O médico silenciou por alguns instantes… Toda minha esperança estava se acabando ali… E agora, o que vou fazer? Como vou resolver isso? Quanto vai custar? Onde posso procurar bons profissionais? De que forma? Como? Quando? Onde? Por que eu? Por que a minha família? Deus, cadê você?

O diagnóstico e a hora de dar a notícia

O exame, finalmente termina e a enfermeira começa a vestir a Priscila. Enquanto isso, o médico me chamou para uma área reservada e foi então que eu tive que ouvir as palavras mais dolorosas da minha vida, até então. O médico foi muito direto: “Pai, sua filha tem uma cardiopatia grave e com outras complicações. Até agora, ela está estável, mas não sei o que pode acontecer. Precisamos avaliar com mais detalhes a doença, mas aqui em Maringá não temos recursos disponíveis. Recomendo que assim que possível, o senhor leve sua filha para o Hospital Pequeno Príncipe.” O médico se referia ao Hospital de Curitiba, que é referência, no Brasil e América Latina, em Cardiologia Pediátrica. E finalizou com um desejo boa sorte. Nada mais…

Fui dali da sala direto para a ambulância, onde Priscila já aguardava, quietinha e aquecida, agora, sem os incômodos do exame. Olhava para ela e um filme se passava na minha mente… E agora, como eu vou resolver isso? Como vou falar para o Victor meu filho? Como vou contar para a Adriane e para a família?
Eu precisava encontrar forças para dar a notícia e todos me esperavam no hospital. Engoli meu choro, ao ver meu filho correndo para me abraçar e perguntando pela irmã… Minha mãe, as cunhadas, primos, sogros, sogras… estavam todos ali e eu não era portador de boas notícias. Resolvi contar tudo de uma vez, sem pausa. Enquanto eu falava, todos me olhavam em silêncio, com os olhos lacrimejando. Um ser tão pequenino, com apenas algumas horas de vida e já capaz de despertar tanto carinho, tanta emoção, uma multidão de sentimentos… Nesse momento, veio o sentimento de união familiar, da força infinita da fé que faz a gente acreditar que tudo daria certo, porque Deus é poderoso e opera milagres. Minha esposa também aguardava por mim no quarto, à espera de notícias. Ao chegar no quarto, contei a ela, mas sem detalhes. Eu disse apenas que nossa filha precisava de mais exames, pois o médico suspeitava de algum problema no coraçãozinho dela, mas faríamos em Curitiba, onde havia mais recursos.

Precisei ser forte na frente dela e minha família também abraçou a causa e todos mergulhamos no espírito de que tudo iria certo… Nesse momento instala-se algo meio mágico, onde todos fingem ser fortes. Todos ali acreditavam no milagre. Tínhamos que acreditar. E partir dali, nossa filha passaria a viver cercada de amor, carinho e todo cuidado…

Pequeno Príncipe, grande sofrimento

Priscila estava com quase um mês e Adriane recuperada da cesariana e pronta pra acompanhar nossa filha nos exames. A viagem até a capital foi tranquila. Ali estávamos nós três no Pequeno Príncipe… Aquele ambiente era uma novidade para nós. Um hospital enorme e cheio de crianças por todos os lados. Pais e mães, cenas de gente chorando pelos cantos, gente sorrindo em outros. Crianças, bebês, enfermeiras e médicos para cima e para baixo… Naquele espaço víamos crianças com as mais diferentes doenças e deformidades… Adriane e eu estávamos ali com nossa Priscila junto com uma centena de pais e mães, todos cuidando de suas crias…

Pra falar a verdade, era um ambiente horrível, onde eu jamais queria estar. Enfermarias lotadas de pequenas crianças e grande sofrimento. Risos de crianças que iam embora se misturavam ao choro de crianças que chegavam… Experimentei tudo isso em uma viagem de dez minutos entre a recepção do hospital e o apartamento. Instalados, fomos informados que no dia seguinte nosso bebê passaria pelo exame de cateterização, procedimento cirúrgico realizado com o auxílio de um cateter (sonda), para colocação de um extensor dentro de uma artéria ou veia obstruída.

A partir dali, nossa filha estaria sob os cuidados da equipe dos doutores Fábio Salum e Eliana Pelisssari, a quem muito nos afeiçoamos, muito dedicada e que sempre nos dava uma palavra de conforto.

Um detalhe na saúde da nossa filha nos mantinha 24 horas em alerta: ela não podia ficar roxa. A coloração azulada era o indicativo de que o coração não estava bem. Se passaram quatro semanas e Priscila não tinha esse tipo de alteração, o que era um ótimo sinal. E eu sempre otimista dando forças para Adriane, dizendo que tudo daria certo. Voltando ao cateterismo, Priscila era muito magrinha, característica típica de uma criança com cardiopatia. Foi preciso recorrer a uma segunda enfermeira porque a primeira não conseguiu. Ao ver o ver o bracinho dela sendo perfurado em tentativas mal sucedidas e ela chorando já me desesperei… Nenhum pai merece passar por isso…

A Bíblia, minha fragilidade e a esperança de um milagre

Vendo minha filha ali, tão frágil e cercada de equipamentos, prestes a ir para o centro cirúrgico e sem saber qual seria o resultado, não conseguia parar de pensar no Victor Hugo que não víamos havia dias. Pedia a Deus saúde para Priscila e também para meu caçula. Aquela noite foi longa… Às seis da manhã fomos avisados que era chegada a hora da cirurgia. Nem Adriane e nem eu conseguimos dormir esperando essa hora… Minha esposa e eu seguíamos por aqueles corredores com o firme pensamento de que tudo sairia bem e que nossas orações seriam atendidas. Nossa caminhada terminou na porta do centro cirúrgico, onde o acesso era restrito aos profissionais.

Ao ver nossa filha entrar naquele ambiente frio para um exame tão delicado, meu coração ficou apertado. Comigo eu levava uma bíblia e toda a esperança do mundo… Caminhei até o fim do corredor e, muito emocionado e fragilizado, pedi a Deus de presente, um coração novo para nossa filha. E para testemunhar o poder Divino eu contaria o milagre aos quatro cantos do mundo. Adriane sentou-se em frente à porta do centro cirúrgico e ali o tic-tac interminável do relógio.

Aqui, vale abrir um parênteses para explicar minha relação com centro cirúrgico. Sou jornalista profissional e na minha trajetória, por uma questão de mercado, escolhi me dedicar ao telejornalismo especializado em Saúde. Até então havia feito inúmeras reportagens na área, ao longo de seis anos de dedicação. Por razões que eu não sei, mas Deus sabe, há seis anos o ambiente hospitalar e tudo que está relacionado a ele fazia parte da minha rotina profissional, o que me capacitou e me permitiu conhecer muitos bons profissionais da Medicina. Meu espírito empreendedor me levou a querer ser mais que um repórter e eu buscava sempre me aprofundar nos temas e extrair mais do assunto e dos entrevistados.

E essa jornada começou quando eu tive a ideia de criar um programa chamado Centro Cirúrgico, eu exibia pela TV Cidade, onde eu fazia reportagens especiais mostrando o que acontecia em um centro cirúrgico. E estava tudo certo porque eu sempre gostei de Medicina embora tenha iniciado três cursos ligados à área e tivesse largado… Mas foi dessa paixão que um dia, numa sala de espera, eu pensei que poderia mudar de lugar e, sim, estar ao lado dos médicos no papel de jornalista.

E deu certo. Eu seria um jornalista diferente e para tornar real o Centro Cirúrgico agendei uma reunião com o médico Durval Francisco, ginecologista e obstetra em Maringá. Veio dele a autorização para gravar a cirurgia para retirada de um tumor no útero de uma mulher de 45 anos. O primeiro programa foi exibido com sucesso, muitos telefonemas, pedidos de reprises, repercussão na imprensa e também junto à classe médica. Eu havia feito algo inédito na cidade e no Estado, creio eu. Aquele foi o primeiro de mais de 100 programas e centenas de cirurgias. Estou contando essa história para dizer que estava habituado àquele ambiente e com a maioria dos procedimentos cirúrgicos, mesmo os mais complexos. Meus vídeos foram usados em faculdades de Medicina, cursos de enfermagem e outros cursos técnicos da área de saúde por um tempo e até veiculado em rede nacional, em uma TV por assinatura.
Foi exatamente essa experiência que me fez saber os riscos que minha filha corria… E toda essa aflição eu guardava comigo, não podia demonstrar para minha esposa. Quando você conhece os detalhes de um procedimento parece que o milagre fica mais distante… E essa situação gerava um conflito enorme dentro de mim. Ali estava um pai ansioso por um resultado positivo, mas ciente que aos médicos cabia apenas precisão no diagnóstico. Até ali tínhamos apenas suspeitas, dúvidas e nenhum diagnóstico claro. O cateterismo nos daria as repostas.

O diagnóstico

Depois de aproximadamente três horas tudo termina e somos chamados pelo corpo clínico. Finalmente, uma informação mais precisa sobre o estado do coração da nossa filha. A explicação foi técnica e detalhada. Fomos informados que Priscila havia nascido com uma comunicação interatrial (CIA), que misturava os sangues. Como se não bastasse ela sofria também de uma comunicação interverticular em que os dois ventrículos também ao se comunicar provocavam a mistura de sangues.

O relato médico não parava por aí…Nossa filha nasceu sem artéria pulmonar, o que é gravíssimo. Oxigênio é vida e o que nos mantém vivos. O sangue de Priscila não recebia a oxigenação adequada. Por conta da cardiomegalia, uma alteração que obriga o coração trabalhar mais, o órgão já estava aumentando de tamanho, o que causaria insuficiência cardíaca, com o passar do tempo. O diagnóstico incluiu ainda, hipertensão cardíaca e tendência a pressão pulmonar aumentada. Àquela altura, meu coração estava acelerado, a adrenalina a mil e Adriane segurava forte a minha mão e o milagre tão esperado se apagara por completo…

Diante de uma lista de problemas em um órgão tão nobre, o coração, não restava outra solução a não ser a cirurgia tão temida por nós até aquele momento. De consolo, outras histórias iguais ou piores que o da nossa filha que vimos ali naquele hospital e que tiveram um final feliz. Deixamos aquela sala tristes e abatidos. Mais uma vez coube a mim ligar para a família e contar como andavam as coisas…Cadê o jornalista experiente em assunto de saúde e bom com as palavras? Naquele momento, o jornalista estava morto. Restava apenas um pai totalmente abatido, fraco, destruído por dentro. Eu só pensava no meu filho Victor Hugo sozinho em Maringá e que também teria que entender o que estava acontecendo.

Dessa vez foi mais difícil. Adriane estava do meu lado ouvindo o início da conversa. Quando comecei a explicar o que nossa filha tinha eu não aguentei… Comecei a chorar e gritar que não aceitava aquilo que estava acontecendo com minha família… Eu estava tomado de revolta. Adriane pegou o telefone e terminou de relatar o diagnóstico. Ao terminar aquele ligação, minha esposa e eu choramos muito e começamos a orar pedindo a Deus um milagre e que não levasse nossa Priscila… Pedimos que ela fosse perfeita da mesma forma que Victor Hugo. Depois daquele dia interminável e terrível, restou o fio de esperança, a cirurgia. Pela manhã, para nosso consolo, a família foi para Curitiba para nos apoiar.

Para a operação, Priscila teria que engordar, ficar mais fortinha… Fomos orientados a voltar para Maringá e aguardar para a cirurgia. A família voltando para casa, parecia tudo normal… apenas na aparência. A partir dali, passamos a viver na expectativa de uma ligação para a tão esperada cirurgia. Se passaram dias, meses e a nossa filha crescia, apesar de todas os problemas e limitações impostas pelos problemas no coração.
Meu filho acompanhava o crescimento de Priscila e a família cada dia mais envolvida e afeiçoada a ela.

Aos poucos, reassumi com força o papel de jornalista para buscar mais informações que pudessem ajudar a resolver a cardiopatia da minha filha. Foi aí que percebi que eu poderia explorar como nenhum outro pai o dom da comunicação dado por Deus. Veio, então, a segunda temporada do Programa Centro Cirúrgico, que saiu de Maringá para ser gravado em outros centros avançados em Medicina inclusive em outros países. E checava, sim, a credencial dos profissionais que cuidavam dela para me certificar que estaria em boas mãos. Que me perdoem os médicos que cuidaram da Priscila, mas agora eles sabem desse segredinho… Tudo foi feito por uma boa causa.

Sem cirurgia e confiantes em Deus

Doutor Fábio Salum, chefe da Cardiologia do Pequeno Príncipe me chama para falar da cirurgia. Até ali, Priscila vivia relativamente bem, apesar da complexidade da doença. Vivíamos em pediatras, numa rotina de muita medicação e nossa filha sempre doentinha com crises frequentes de pneumonia. O que mais nos alegrava era ver Victor e ela juntos conosco em Maringá. Voei para Curitiba para cuidar dos detalhes para o procedimento há meses e ansiosamente esperado.

Nesse momento eu só pensava em como isso se daria, porque mais uma vez teríamos que ficar a quase 500 quilômetros de casa, longe do nosso filho sabe Deus por quanto tempo… As dúvidas deixam a gente fragilizado e inseguro. Contra esse tipo de sentimento era inútil lutar.

Lá estava eu atento no consultório do Dr. Fábio Salum e ele, sem rodeios, me disse que apesar de todo esforço e pesquisas em diversos centros, em busca de solução, havia concluído que não havia correção para o caso da nossa filha. A alternativa seria tratá-la por medicamentos ou um transplante cardiopulmonar, um procedimento caríssimo e altamente arriscado. Diante daquela situação, uma pergunta estava entalada na garganta por medo da resposta, mas tive coragem e aquele médico com tanta experiência e bagagem científica me disse: “Não posso responder isso.”

Um silêncio enorme invadiu aquela sala e por um tempo fixei meu olhar no horizonte… “Muito Obrigado doutor por tudo o que o senhor fez pela minha filha. Obrigado e Deus abençoe.”

De volta a Maringá, fiquei surpreso com a reação da minha família ao contar que a cirurgia havia sido descartada por conta da complexidade do caso. A partir dali, não as falaria mais em cirurgia, cuidaríamos dela com medicação e os cuidados necessários para que tivesse a maior qualidade de vida possível. Já estávamos até conformados que ela tomaria remédios para o resto da vida.

Nosso filhos cresciam… Victor Hugo logicamente forte e muito saudável dentro da normalidade de crescimento e Priscila batalhando pra ficar melhor e determinada a viver. Uma família normal e feliz. Oito anos se passaram, de muito aprendizado e trabalho às voltas com uma rotina de ‘turismo’ médico e hospitalar, mas sempre à espera de um milagre de ver a saúde da nossa filha restaurada.

Havíamos abraçado bem a ideia de tratamento com medicamentos e não se falou mais em cirurgia. Se Deus quis assim é porque ela teria força para assimilar e vencer as dificuldades impostas pela doença. Quem garante que nossa filha sairia com vida do centro cirúrgico? Se não gostamos de pensar na morte de um pai, uma mãe, imagine de um filho… Nós ocidentais não fomos educados para assimilar a morte, doenças complexas e crônicas como algo normal da vida. E conosco não foi diferente.

A entrevista com Dr. Lair Ribeiro, meu reencontro com a esperança

No dia a dia da profissão buscava de forma incansável tudo que pudesse ajudar minha filha a viver melhor e amenizar as complicações que poderia ter. E foi nessa busca incessante (com quase 20 anos de atuação em Jornalismo especializado em Saúde) que me dei conta que a medicina convencional não era a única ciência, mas sim a divina ciência poderia salvar vidas, inclusive da minha Priscila. Me embrenhei, então, na medicina alternativa para minhas reportagens.

A internet nesses últimos anos se incorporou aos hábitos de todos nós e a TV não era mais a única forma de assistir aos meus programas. Muita gente assistia minhas reportagens pela web, por onde eu também sempre navegava em busca de tratamentos novos para a Priscila.

Em uma dessas navegadas, ao verificar como estava a audiência do meu programa no youtube, me chamou atenção um vídeo de um médico falando de qualidade de vida, envelhecimento saudável e tudo de forma natural. Me chamou mais a atenção o volume de visualizações, o medidor do interesse pelo assunto. Sou curioso por natureza. Comecei a assistir o vídeo e me dei conta que não mudei para outro, o que é natural entre os internautas. Pelo contrário, assisti o vídeo inteiro e outro e mais outro… seduzido pela oratória, didática e informação de forma simples… Aquele médico falava de um jeito que me fez acreditar que seus conselhos poderiam mudar a saúde de qualquer pessoa.

Aquilo foi um choque pra mim e parecia que eu já o conhecia. Quem era mesmo ele? Como era possível um médico ser tão hábil comunicador? Ele batia de frente com nossos hábitos diários errados com tanta propriedade que era impossível não se contagiar… Naquele momento percebi que aquele médico seria extremamente útil para o Repórter Saúde, nome do programa que eu produzia e apresentava. Diante da tele eu estava vendo o médico, cardiologista, conferencista e escritor Lair Ribeiro. Mas como agendar uma entrevista com aquela sumidade?

Busquei no grande computador, meu cérebro, e lembrei que há 20 anos atrás havia tido o primeiro contato com ele por meio de livros de autoajuda. Um pioneiro em audiolivros em fita k7. Na época, comprei o kit e ouvia direto no toca- fitas do meu carro “O Sucesso Não Ocorre Por Acaso”. Lembrei-me de uma frase que ele dizia no meio de seu discurso: “Mire a lua e se você se perder ficará entre as estrelas.” O escritor me convencia ali a traçar uma a meta grandiosa e ao mesmo tempo me consolava ao dizer que mesmo que eu não conseguisse chegaria perto. Agora, 20 anos depois, deparo-me com aquele palestrante que falava de sucesso pessoal e profissional dando aulas de ciência médica, com tanto domínio… Que admiração! Quanta experiência e sabedoria…

Aos 50 anos, convenço-me que, sim, o universo conspira ao nosso favor ou que toda trajetória à frente do Programa Centro Cirúrgico não foi por acaso. Que meu direcionamento para o Jornalismo Especializado em Saúde foi um laboratório, embora durante a caminhada tempestuosa isso nunca ficou claro para mim. Veja que interessante. Para dar conta das despesas com a medicação da minha filha sempre busquei formas para aumentar minha renda financeira. Um belo dia, meu amigo Sidney Rodrigues, da Acqualive, filtros de água, vem me fazer uma visita para me falar de saúde e da importância da água alcalina. Passei semanas visitando clientes para conhecer melhor o produto e a importância da água para nossa saúde. Fiquei tão entusiasmado com qualidade de vida que eu poderia oferecer a minha família, que não apenas comprei o filtro, mas me tornei um franqueado. Benvinda água alcalina e adeus refrigerantes. De novo, estava eu traçando meu caminho com o Dr. Lair, que é palestrante nos eventos da empresa. Estava mais perto de agendar a tão sonhada entrevista… Após seis meses de tentativas e quase desistindo em razão de ele ser uma pessoa tão ocupada, o telefone toca e era a secretaria dele.

A gente em pressa, mas Deus sabe a hora

O Mauro da Acqualive havia estreitado o caminho e o encontro estaria prestes a acontecer. Fui orientado a ser pontual, objetivo e ficar com ele não mais que 15 minutos. Estava eu diante de duas possibilidades que enchiam meu coração de alegria: conseguir me aproximar de alguém tão sábio que pudesse me ajudar com a Priscila e ao mesmo tempo aumentar a audiência do meu programa. Um presente de Deus que eu tinha que abraçar com toda garra. Próximo destino, São Paulo!

Fiz como foi combinado. Lá eu estava eu e meu irmão Leandro (cinegrafista e produtor), às 9h15, pontualmente. Dr. Lair já estava à nossa espera e ao nos ver solta com sua voz grave um sonoro “bom dia. Tudo pronto, tudo certo? Fizeram boa viagem? Vamos começar? Agora era o Fernando repórter diante de um grande médico, mestre do autoconhecimento, autor de bestsellers, pioneiro da neurolinguística no Brasil, grande palestrante conhecido mundialmente e cardiologista!!!!! Não havia tempo a perder. Ele realmente era um homem ocupado e muito prático. Mesmo com anos de experiência, eu estava nervoso enquanto Dr. Lair parecia dominar o ambiente de gravação. A vaidade é um dos pecados capitais e nem sempre conseguimos nos desvencilhar dela. Ali, por instantes, a vaidade tomou conta de mim e eu pensei: “Nossa, vou entrevistar Dr. Lair Ribeiro, eu sou fera mesmo, eu sou o cara. Eu consegui. Vou fazer a entrevista’.

Finalmente, começamos… Para quebrar o gelo, fiz o que sempre faço com meus entrevistados. Pedi que ele me contasse um pouco da infância e da família em Minas Gerais. A partir daí, nossa conversa fluiu de uma forma perfeita, com direito a pauta para café com pãezinhos de queijo, à moda mineira. E não foram apenas 15 minutos de entrevista. Foi um longo bate-papo de exatos 100 minutos, uma hora e quarenta minutos de gravação. Para mim, foi uma vitória. Depois de tantos percalços e recaídas diante da saúde da minha filha, me dei conta que o jornalista hábil com assuntos de saúde estava em forma. E credibilidade é tudo que faz o nome e reputação de um jornalista. Um homem tão importante e ocupado não perderia tempo com um jornalista do interior se o assunto não lhe despertasse interesse…

Me dei conta que Deus havia me preparado a vida toda para aquela entrevista. Na despedida, quebrei o protocolo para uma breve consulta sobre o caso da minha filha. “Dr. Lair posso fazer uma pergunta médica sobre minha filha Priscila? Ele olhou para mim com um sorriso de quem já esperava… afinal, como resistir a uma breve consulta diante de um médico? E o casamento era perfeito: ele cardiologista e minha filha cardiopata. Você tem dúvida que Deus cria atalhos e promove encontros inesperados? E foi a partir daquele quebra de protocolo que a minha vida e da minha filha começou a mudar…

Contei a ele tudo sobre a Priscila, com riqueza de detalhes na esperança de que viesse dele uma solução. Me lembro como se fosse hoje. Ele fixou os olhos em mim, mudou seu semblante e me respondeu com uma série de perguntas sobre a medicação que ela tomava. Disse tudo que ela estava tomando, os efeitos colaterais, da doenças de repetição e como ela reagia a todos eles sem nunca ter visto minha filha. Fiquei perplexo. Era meu reencontro com a esperança de ver minha filha com saúde, finalmente.

Contra resultados não há argumentos

Em poucos minutos ele descreveu tudo que aconteceu com minha filha desde seu nascimento até aquela data, focando na medicação e nos efeitos que ela causava em seu organismo. Impossível não me convencer da sabedoria daquele médico diante de um diagnóstico tão preciso sem sequer conhecê-la. Um dos questionamentos feitos por ele foi sobre suplementação com vitaminas e minerais que ajudam a dar mais energia para o coração, uma novidade para mim porque nenhum médico – e não foram poucos que consultamos – jamais falou disso. De forma didática e paciente, Dr. Lair começou a esclarecer que o órgão doente precisa de energia, combustível extra para trabalhar, não podendo receber apenas drogas (remédios) que obrigam o coração bater a qualquer custo. Diante de sua explanação, compreendi o que a medicina convencional estava fazendo com o coração da minha filha.

Tudo em sua explicação fazia total sentido. Comer “arroz e feijão” todo dia não é suficiente pra manter um corpo perfeito e saudável. Portanto, há oito anos em tratamento, Priscila já estava com uma deficiência de vitaminas minerais, aminoácidos, enzimas, proteínas e outros suplementos especiais, que ajudam a suplementar as refeições diárias. E essa regra não vale apenas para minha filha, mas para qualquer pessoa.

Um detalhe: Dr. Lair não atua em clínica, não tem pacientes. Todo seu tempo é dedicado a aulas em cursos de pós-graduação, palestras, conferências e outras atividades afins, qual não foi minha surpresa e alegria quando ele se propôs a cuidar da Priscila. Porém, impôs a condição de eu seguir, fielmente, o que ele indicasse. Ficou combinado que manteria o tratamento médico com a equipe que já a acompanhava, por questões éticas, e ele faria a suplementação e diz: “Vamos fazer assim e até o próximo retorno você decide o que fazer. O que você tem que ver a partir de agora são resultados. Contra resultados não há argumentos. Eu trabalho com resultados.”

Nesse momento, fomos até seu escritório onde providenciou receitas, me orientou onde eu poderia adquirir tudo aquilo e me deu todas as coordenadas de como proceder com minha filha dali em diante e antes de se despedir me dá esperanças: “Sua filha não poderá ser operada. A Medicina ainda não tem capacidade para resolver o caso da cardiopatia de má formação congênita da Priscila, mas a partir desse protocolo você vai ver que a Priscila vai ter uma vida bem próxima ao normal. Ela vai ser uma outra criança. Os problemas que os remédios causaram em sua filha, vou começar a reverter. Você vai ver que a farmácia de Deus pode dar uma vida praticamente normal para sua filha e com grande expectativa de vida pra ela… E o que é melhor, com qualidade de vida”, conclui.

Tudo aquilo era música para os ouvidos… Naquele momento nascia um novo Fernando, uma nova Priscila, uma nova Adriane, nascia um novo Victor. Até ali, vivíamos quase mortos, um dia de cada vez imaginando, cada um em silêncio, que tipo de problema de saúde a Priscila teria naquela semana… Noites em claro e uma vida praticamente restrita, em casa porque quase nada podia, nadar, por exemplo…Tudo era feito ou não pensando nas limitações da nossa filha, o que não era justo com o Victor, mas não dava pra ser diferente.

Para resumir a importância daquela entrevista, que foi a oportunidade de conhecer Dr. Lair, há quatro anos ele cuida dela, somente com suplementos. Nenhum remédio. A saúde da nossa filha se transformou 1000%. Hoje, com 12 anos e na oitava série, ela corre, brinca, estuda e com ótimo desempenho, adora dançar, é líder nata no meio das coleguinhas. Se antes não podia nadar, hoje ela atravessa a piscina embaixo d´água, tamanho é seu fôlego e energia. Priscila tem uma alegria que contagia a todos.

Agradeço a DEUS que enquanto me dizia “não” ao milagre que eu implorava e negociava com ele, estava, na verdade, me preparando e me capacitando para ajudar não apenas minha filha, mas inúmeras pessoas, inclusive você, por meio da minha vocação: a comunicação. Por meio de reportagens pude transmitir conhecimento e informações restritas até então, ao universo médico. Eu creio que na Farmácia de Deus, termo tão usado por Dr. Lair Ribeiro, está uma infinidade de curas. Quem dera os médicos reconhecessem que Deus, na sua sabedoria infinita, coloca à disposição da humanidade o que ele deixou na natureza, coisas simples, que ao se tornar hábito no dia a dia garantem cura, saúde, vitalidade e longevidade.

Penso que você concorda que é muito melhor prevenir e se manter saudável a se descuidar e adoecer… Minha família e eu sofremos por ignorar como fazer isto. Infelizmente, a cultura ocidental ainda vê como normal a doença, mas Deus nos fez para ser saudáveis e cheios de vida. A partir de agora te convido a conhecer um pouco do conhecimento que adquiri com Dr. Lair Ribeiro e busquei fazer isto sem rodeios, numa linguagem simples, didática pra que possa te beneficiar tanto quanto minha família e eu temos sido beneficiado. Meu objetivo é te ajudar a identificar que hábitos e comportamentos podem estar prejudicando a sua saúde e sugerir de que forma você pode adquirir um estilo de vida saudável que te dê vitalidade e condições para uma vida longa, protegendo-se das doenças crônicas e degenerativas que são a maior causa de internamentos e mortes no Brasil e em grande parte do mundo.

 

Este e outros capítulos você encontrará na íntegra no livro Minha História, de Fernando Beteti, cujo lançamento será realizado em breve.

Habilidades

, , ,

Postado em

28 de junho de 2017

Enviar Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *